terça-feira, abril 18, 2017

A família Dionti, de Alan Minas

Viva o cinema brasileiro - foi esse o meu pensamento assim que os créditos finais ganharam a tela. A sala era pequena, também eram poucos os horários de exibição disponíveis e o filme está em cartaz em apenas três estabelecimentos do ramo no Rio de Janeiro - justamente, os que ainda se mantém como bastiões da sétima arte. No entanto, A Família Dionti é uma das produções mais interessantes do atual audiovisual brasileiro, uma lufada de criatividade que o cinema nacional, poluído por histórias superficiais e interpretações tautológicas, tanto precisava para se refrescar.

Resgatando o cinema de autor, Alan Minas é o responsável por texto e direção, tomando conta de sua obra nos mínimos detalhes. Toda a engrenagem funciona para contar a história de um menino do interior que lida com a descoberta do amor, enquanto busca explicações para fenômenos que não pode explicar, como o desaparecimento de sua mãe. A sutileza com a qual temas espinhosos são tratados, misturando o realismo fantástico à inocência do olhar gestáltico da criança, é o grande trunfo do filme. A narrativa torna-se uma fábula e tem em seu desfecho duas opções: a leve fantasia ou a dura realidade.

O elenco é primoroso. Não bastasse a presença do ótimo Antonio Edson, do Grupo Galpão, com um trabalho completamente diferente do que executa nos palcos, há também toda uma nova safra de atores que convencem o espectador tamanha a verdade que colocam em suas interpretações. Todos têm atuações irretocáveis - e é normalmente isso o que acontece quando o cinema autoral pode se desenvolver. A fotografia é outro acerto, usando as paisagens interioranas e o céu, sempre ameaçando chuva, como um personagem.

No entanto, o grande trunfo é a montagem. O filme tem o tempo necessário para que a linguagem cinematográfica tome a tela por completo. Não há sobressaltos, não há reviravoltas, não há um clichê sequer. Ao mesmo tempo, há lirismo em todas as sequências: das mais simples até as mais importantes. Ou seja, o tratamento dramático é homogêneo e se mantém intocado durante todos os quase 100 minutos de projeção.

Isto posto, digo a vocês: vivam o cinema brasileiro! Corram lá para assistir, antes que saia de cartaz.




PS: parabéns aos meus queridos amigos Alisnon Minas e Julia Bonzi, que brilham em uma das sequências mais bonitas do filme no papel um casal de mágicos.

segunda-feira, abril 03, 2017

13 reasons why

Posso enumerar aqui algumas razões pelas quais assistir e mais outras para não assistir a 13 reasons why, a novidade dessa fábrica de séries em série que é o Netflix. A primeira razão para um elogio é porque trata-se de um assunto que está na pauta do dia, de abordagem complexa, espinhoso e que precisa ser discutido. E não estamos falando apenas de jovens suicidas por conta de bullying. Tem muito mais que isso, mas é spoiler.  Então não vou contar, apesar de estar meio na cara se você assistir ao trailer.

A razão para desqualificar a série é muito simples: a encheção de linguiça que não cabe num roteiro de 13 episódios. Fora tudo isso, ainda há a estereotipia usual com a qual adolescentes estadunidenses são tratados, o que talvez cause um estranhamento no público de outras naturalidades.

Como acertos, vale destacar que, guardadas as abissais proporções, 13 reasons why tem um quê de Twin Peaks. Ambas as séries começam com uma protagonista jovem morta em circunstâncias misteriosas. As duas têm suas história contadas em narrativas temporalmente distintas, mas simultâneas.

Outra similaridade é que os segredos vão se desvelando conforme os personagens são apresentados. E aí vale aquela máxima que torna o suspense tão divertido: nada é o que parece. No entanto, falta direção para a série do Netflix - algo que sobra para David Lynch. Logo, é aí que está um outro ponto fraco de 13 reasons why: não há aquela teia de suspense realmente bem trançada. Não há textura, construção de clima etc.

Talvez seja exigir demais, né?

Stranger Things tinha uma ótima abertura. Já essa aqui é fraca...
Talvez. Não li o livro no qual a série se baseia, mas sabendo que o autor estava minimamente envolvido em todo o processo de roteirização, me parece que, mais uma vez, trata-se de um argumento que daria um filme incrível. Porque tem que ter estofo pra fazer série. Não pode ter aquelas toneladas de diálogos com frases clichê ditas por personagens que você jura já ter visto em blockbusters juvenis. Nem aquela lenga-lenga que não leva a lugar nenhum, com musicas tristonhas no fundo. Quer dizer, até pode, mas fica chato.

Por isso, a série perde um pouco da credibilidade na hora de colocar as cartas na mesa. O roteiro trata de questões muito pertinentes ao universo dos adolescentes. Só que transformá-lo em um panfleto de ajuda filmado é jogar pela janela uma chance de fazer algo realmente diferente. O que não quer dizer que a série seja mal feita. Não mesmo.

No fim das contas, dá pra dizer que 13 reasons why é tipo um Twin Peaks homeopático para adolescentes.

sábado, abril 01, 2017

Aqui jazem romances - o meu livro!


Eu vou dar um recadinho aqui e já volto...

(corta pra câmera 12)

Vamos falar de coisa boa?

Aproveitando este espaço de escrita, informo a todos vocês, meus poucos, porém donairosos leitores, que este escriba lançou um livro de parágrafos. Isso mesmo, parágrafos: nem conto, nem poesia. O dito cujo, intitulado Aqui jazem romances, já está à venda em dois locais. No mundo real, na livraria Blooks, ali na Praia de Botafogo, 316 (dentro da galeria do Espaço Itaú de Cinema). No virtual, quem quiser pode comprar diretamente no site da Editora Jaguatirica. Caso adquiram um exemplar, ficarei muito contente em poder autografar o mesmo.