sábado, março 18, 2017

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake), de Ken Loach

Escrevi essas palavras aí embaixo logo após ter assistido ao filme do Ken Loach. Tá la no meu Facebook. Não é uma resenha do ponto de vista estrutural, mas acho que vale o registro. Afinal, este blog aqui já deixou de ser o que era anteriormente - e faz muito tempo. E não que isso seja ruim. Apenas é assim.

Acabei - agora mesmo - de ver Eu, Daniel Blake, do mestre Ken Loach. É um filme que dói lá dentro da gente. Toda vez que o protagonista passa a mão na cabeça, como que para tentar conter a angústia diante da humilhação que é obrigado a experimentar diante da batalha que trava contra o Estado pelo seguro desemprego, que lhe é de direito, a gente sente uma pontada.

São seres humanos atrás das mesas de negociação. Mas seres humanos são capazes, acreditem, de fazer caretas, ditar regras, se regozijar com a punitividade prevista em lei e são incapazes de ouvir o outro. Quem nunca se viu nessa situação por aqui, agora que somos 12 milhões - e eu me incluo no número - de achacados por um sistema praticamente global, que guarda semelhanças ao redor do planeta e que não deu certo?

Congelam investimentos em saúde, mas empurram goela abaixo planos de saúde. Paralisam investimentos em educação, enquanto conglomerados de especuladores investem dinheiro em escolas particulares. Reformam a previdência social, mas fazem reportagens sobre os benefícios de planos privados. A dura verdade, Daniel, é que por aqui nunca se vendeu tanta lancha.

Não tem essa de ficar em cima do muro. É de frente mesmo!
No entanto, ao final da sessão, há um misto de consternação e alegria. A primeira provocada pelo roteiro intenso e a segunda, por saber que o cinema ainda tem seus heróis, batalhando contra a corrente ideológica, colocando a cara a tapa, pichando no muro, em letras garrafais, um manifesto humanista que precisa ser lido - se não de perto, que seja de longe.

"I am not a client, a customer, nor a service user. I am not a shirker, a scrounger, a beggar nor a thief. (...) I, Daniel Blake, am a citizen. Nothing more, nothing less."