sábado, janeiro 16, 2016

Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road), de George Miller

Ano passado, não tive o menor interesse em assistir ao novo filme da franquia Mad Max. Trinta anos depois daquele com a Tina Turner cantando que eles não precisavam de um outro herói, o mesmo diretor, George Miller, retoma a história do policial que corre as violentas estradas australianas num mundo pós-apocalíptico desértico no qual água e combustível são as commodities mais valiosas. No caminho, encontra pessoas loucas e alucinadas em decorrência dessa luta pela sobrevivência. Atordoado com a morte da família, cuja culpa cai sobre seus ombros, ele também tem um parafuso solto.

A quantidade de indicações ao Oscar, mesmo sabendo que isso não quer dizer lá grandes coisas, me aguçou a curiosidade: o que será que aqueles acadêmicos viram num filme que, é sabido, mais parece um videoclipe feito por jovens no ácido? Parece, porque não é. E aí vem outra curiosidade: como será que ficou essa ressurreição de franquia já que ela é dirigida por um cara que, depois daqueles três primeiros filmes lá na década de 1980 (ok, possíveis pentelhos, eu sei que o primeiro é de 1979), foi o responsável por Babe, o porquinho e Happy Fet, o pinguim? Porra, tem que ver!

É mesmo o que se esperava. Parece um videoclipe, só que com duas horas de duração - o que, para um filme cujo argumento tem enfoque em perseguições e explosões, nem é lá um defeito, mesmo estando careca de saber que isso também é um belo de um artifício para encobrir roteiros medíocres.

 E o roteiro - adivinhem? - é mesmo medíocre. Uma historinha patética que envolve um vilão tirânico, oriundo dos primeiros filmes da franquia, que controla água, suprimentos e, por conseguinte, os moradores de uma tal Cidadela. Ele tem um pequeno harém com lindas modelos vestidas de branco (a cena em que elas aparecem em destaque pela primeira vez parece concurso Gata da Camiseta Molhada) que lhe dão filhos. Os ventres, escolhidos a dedo, precisam gerar bebês perfeitos, porque a maioria dos moradores do lugar nasce com alguma deformidade devido ao contato com a radiação. Até que um dia uma de suas filhas, cansada daquilo tudo, foge com as meninas para uma terra que, acredita ela, tem verde e água em abundância. No meio do caminho encontram Max, que havia sido prisioneiro na Cidadela. Aí, os dois passam a fugir e lutar juntos contra o vilão.

Mas o que tem de bom? Ah, o visual é até bacaninha, apesar de, em determinadas sequências, como na que mostra uma comitiva que vai atrás do Max e sua turma, eu ter me sentido assistindo a um desfile de escola de samba. Os carros e seus tripulantes mais pareciam saídos de um barracão da Unidos da Tijuca, no melhor estilo Paulo Barros. Diz aí se não é coisa de carnavalesco aquele veículo em que um guitarrista toca um instrumento que cospe fogo e tem, atrás, uns meninos carecas pintados de branco batendo tambores?

Ops, foto errada!

A edição foi feita pela esposa do diretor, que nunca havia trabalhado em nada parecido. Motivo da escolha: Miller disse que, se o filme fosse dirigido por um homem, seria mais um filme de ação qualquer. Até que ela trabalho direitinho. Durante a projeção, há em abundância momentos nos quais os mais fotossensíveis podem ter uma crise epiléptica deflagrada. Mas o diretor se deu mal, porque deve ter ficado um seis meses sem sexo em casa (só para decupar as cenas, foram três meses de trabalho ininterrupto) e o resultado final é mais um filme de ação qualquer. Quer dizer, indicado ao Oscar, mas um filme de ação qualquer ainda assim.

Os atores? Nada a declarar. Charlize Theron até segura a onda, sexy sem sem vulgar. Vê-la com um braço mecânico, retirado com computação gráfica, é muito interessante. Aliás, isso é outro ponto bacana do filme: quase não há efeitos especiais, é tudo feito à base de dublês. Já o substituto de Mel Gibson, Tom Hardy, pouco faz, logo pouco rende. O destaque fica mesmo para o vilão, de olhar bastante expressivo, o experiente Hugh Keays-Byrne.

We don't need another sequel, mas fiquem avisados que vêm mais dois filmes por aí.

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