terça-feira, abril 21, 2015

White zombie, de Victor Halperin

Se eu disser a vocês que o nome deste clássico do horror de 1932 em português é Zumbi - Legião dos mortos, todos vão compreender o fato de preferir, ali no título, o nome original, não é mesmo? Até mesmo pela importância de White zombie: estamos diante do que se supõe fortemente ser o primeiro filme sobre mortos-vivos da história do cinema - anterior até mesmo ao espetacular I walked with a zombie, que instaurou de uma vez por todas os zumbis como figura alegórica.

Aqui, os personagens ainda não comiam cérebro. À época, os Estados Unidos, país em que o filme foi produzido, saiam da Grande Depressão de 1929, que deixou estragos consideráveis não somente na economia, mas na organização social dos estadunidenses. O então presidente Franklin Roosevelt estava prestes a dar início ao New Deal, o plano de recuperação econômica que pretendia, no fim das contas, levantar o moral da população. O cinema serviu, inegavelmente, como uma ferramenta poderosa na mitigação da tal depressão e na disseminação do american way of life. Por isso, em, 1932, zumbis eram pobres incautos vítimas de transes provocados por magia negra - uma prática de "povos bárbaros" (leia-se sul-americanos com origens africanas) e que ia contra todos os princípios cristãos dessa nova América que precisava ser urgentemente higienizada.

Para o papel do mago de sotaque britânico que comanda um exército de zumbis em Porto Príncipe, capital do Haiti, foi escalado por módicos 800 obamas ninguém menos que Bela Lugosi, que mais tarde ficaria imortalizado como Drácula. Seus expressivos olhos esbugalhados dão vida a Murder Legendre, um sinistro habitante da ilha que, apesar de não ser insulano, usa rituais de voodoo para escravizar mentalmente seus inimigos, os quais mata antes, obviamente.

"Olhos nos olhos... Quero ver o que você faz!"

Um deles é o ricaço e excêntrico Dr. Bruner, que se apaixona por uma moça durante uma viagem a Nova York, e planeja colocá-la em transe para viver ao lado dela. Para isso, pede ajuda a Legendre. No entanto, precisa antes de mais nada se livrar do noivo da moçoila. Como? Convidando o casal para desfrutar das belezas naturais da paradisíaca ilha.

Em White zombie, a caracterização dos zumbis remete ao expressionismo alemão, que ainda era uma corrente estética europeia recente e influente. A maquiagem é pesada e o olhar, vivaz. A pantomima do morto-vivo criada por Halperin, caminhando sem controle a ponto até mesmo de cair de um desfiladeiro, seria mais tarde copiada por todas as produções do gênero (vide o comportamento dos zumbis do seriado The Walking Dead, sete décadas mais tarde).

Um excelente filme para entendermos melhor o papel narrativo desses desafortunados seres - que, mais tarde, seriam também vítimas da ganância nuclear da Guerra Fria. Mais tarde ainda, pobres coitados infectados por um vírus geneticamente modificado por temíveis armas biológicas.

Qual será a próxima hecatombe que nos transformará em zumbis?

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Filmes de zumbi são a sua cara!