sexta-feira, abril 17, 2015

Ida, de Pawel Pawlikowski

O vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é diferente por vários motivos. Os estéticos, são muitos. Por exemplo, a ousadia de filmar em 3:4, o antigo formato televisivo, ao invés do tradicional 16:9. Há também a ausência completa e total de trilha sonora. No entanto, o que mais chama a atenção em Ida é a força narrativa que o filme consegue sem muito esforço.

O roteiro mostra uma noviça que, prestes a fazer o voto pelo celibato e pela reclusão para o resto da vida, vai em busca da única parente de que tem notícia. Sua tia, a quem pouco conhece, é uma juíza de raízes judaicas em um tribunal da Polônia dos anos 1960, durante o regime comunista pós-guerra. Mesmo levando vidas bastante opostas, as duas parecem ter em comum o gene da melancolia e a falta de perspectiva com os mundos que as cercam.

Para falar a verdade, nada é assim tão maravilhoso em Ida. Nem a fotografia em preto e branco, que é apenas acertada tendo em vista que o filme fala sobre tristeza. Além disso, é inverno. Ou seja, toda a Polônia está coberta de neve branca. As atuações também não são lá um destaque. Convincentes, sem dúvida. E então fica a questão: ué, mas é um filme para ser tão premiado - para quem não sabe, Ida recebeu nada menos que 67 condecorações ao redor do mundo, tirando o Oscar - assim?

É que em menos de 90 minutos - e está aí outra característica pitoresca desse filme -, Pawel Pawlikowski vai conduzindo o espectador com muita calma até um desfecho arrebatador, que vale pelo resto todo. É perturbador, daquele jeito polonês de ser perturbador.

Ida é uma Noviça Rebelde da vida real.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Estou muito curiosa para assistir "Ida" e acredito que o filme deve ser um dos próximos a passar na sessão de arte do Cinépolis aqui na minha cidade.