segunda-feira, abril 27, 2015

Cineminha com a Duda > Cada um na sua casa

Mais um texto da Maria Eduarda, essa mais nova - e bota nova nisso - colaboradora deste blog. Dessa vez, fomos assistir à nova animação da Dreamworks. Ela estava doida para conferir o filme e, depois, escrever o que achou para vocês lerem aqui. Ei-la, abaixo, a resenha.

Eu fui ao cinema ver Cada um na sua casa com o meu pai e a minha melhor amiga, Gabriela. Comi uma pipoca mega e levei balas e pirulitos. Isso é muito bom para acompanhar filmes, ainda mais porque são minhas comidas preferidas.

Agora eu vou contar como é o filme. Tinha um planeta em que viviam os boovs, e eles sempre fugiam do inimigo deles. O Oh, que era um dos boovs, era o mais engraçado e bonzinho. Eles mudam para o planeta Terra e o Oh encontra uma garota chamada Tip Tucci. Só que os boovs pegaram uma máquina e colocaram as pessoas, menos a Tip, em outro país para eles poderem morar no planeta Terra. A Tip acaba sendo separada da mãe. O Oh ajuda a Tip a procurar a mãe. Só que ele fez besteira: ele mandou um convite para sua festa e acabou mandando para todos no universo, inclusive os inimigos.

Esses são os boovs recebendo a mensagem que o Oh mandou.

A parte que eu mais gostei foi quando a Tip encontra o Oh. Ela está se escondendo dos boovs numa cabana e bota a cabeça para fora. Quando ela sai, vê o Oh e fica assustada. A parte que eu menos gostei foi quando a nave dos inimigos dos boovs anda na Terra. Era muito barulhenta. O meu personagem preferido é o Oh. Quando ele está rosa, é que gosta de uma pessoa. Quando está azul é porque está triste e quando ele está amarelo é porque está dançando. E quando ele está vermelho é porque está bravo. E quando ele está roxo é porque ele está normal. O personagem que eu menos gostei foi o boov do sinal. Ele é um boov que é um guarda de trânsito. Nem ele nem ninguém era amigo do Oh.

No final do filme eu fiz xixi por 20 horas, porque eu bebi muito suco de uva. A minha amiga Gabriela também, porque bebeu uma Coca-Cola de tamanho gigante.

Vale muito muito muito a pena ver esse filme no cinema.

terça-feira, abril 21, 2015

White zombie, de Victor Halperin

Se eu disser a vocês que o nome deste clássico do horror de 1932 em português é Zumbi - Legião dos mortos, todos vão compreender o fato de preferir, ali no título, o nome original, não é mesmo? Até mesmo pela importância de White zombie: estamos diante do que se supõe fortemente ser o primeiro filme sobre mortos-vivos da história do cinema - anterior até mesmo ao espetacular I walked with a zombie, que instaurou de uma vez por todas os zumbis como figura alegórica.

Aqui, os personagens ainda não comiam cérebro. À época, os Estados Unidos, país em que o filme foi produzido, saiam da Grande Depressão de 1929, que deixou estragos consideráveis não somente na economia, mas na organização social dos estadunidenses. O então presidente Franklin Roosevelt estava prestes a dar início ao New Deal, o plano de recuperação econômica que pretendia, no fim das contas, levantar o moral da população. O cinema serviu, inegavelmente, como uma ferramenta poderosa na mitigação da tal depressão e na disseminação do american way of life. Por isso, em, 1932, zumbis eram pobres incautos vítimas de transes provocados por magia negra - uma prática de "povos bárbaros" (leia-se sul-americanos com origens africanas) e que ia contra todos os princípios cristãos dessa nova América que precisava ser urgentemente higienizada.

Para o papel do mago de sotaque britânico que comanda um exército de zumbis em Porto Príncipe, capital do Haiti, foi escalado por módicos 800 obamas ninguém menos que Bela Lugosi, que mais tarde ficaria imortalizado como Drácula. Seus expressivos olhos esbugalhados dão vida a Murder Legendre, um sinistro habitante da ilha que, apesar de não ser insulano, usa rituais de voodoo para escravizar mentalmente seus inimigos, os quais mata antes, obviamente.

"Olhos nos olhos... Quero ver o que você faz!"

Um deles é o ricaço e excêntrico Dr. Bruner, que se apaixona por uma moça durante uma viagem a Nova York, e planeja colocá-la em transe para viver ao lado dela. Para isso, pede ajuda a Legendre. No entanto, precisa antes de mais nada se livrar do noivo da moçoila. Como? Convidando o casal para desfrutar das belezas naturais da paradisíaca ilha.

Em White zombie, a caracterização dos zumbis remete ao expressionismo alemão, que ainda era uma corrente estética europeia recente e influente. A maquiagem é pesada e o olhar, vivaz. A pantomima do morto-vivo criada por Halperin, caminhando sem controle a ponto até mesmo de cair de um desfiladeiro, seria mais tarde copiada por todas as produções do gênero (vide o comportamento dos zumbis do seriado The Walking Dead, sete décadas mais tarde).

Um excelente filme para entendermos melhor o papel narrativo desses desafortunados seres - que, mais tarde, seriam também vítimas da ganância nuclear da Guerra Fria. Mais tarde ainda, pobres coitados infectados por um vírus geneticamente modificado por temíveis armas biológicas.

Qual será a próxima hecatombe que nos transformará em zumbis?

sexta-feira, abril 17, 2015

Ida, de Pawel Pawlikowski

O vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é diferente por vários motivos. Os estéticos, são muitos. Por exemplo, a ousadia de filmar em 3:4, o antigo formato televisivo, ao invés do tradicional 16:9. Há também a ausência completa e total de trilha sonora. No entanto, o que mais chama a atenção em Ida é a força narrativa que o filme consegue sem muito esforço.

O roteiro mostra uma noviça que, prestes a fazer o voto pelo celibato e pela reclusão para o resto da vida, vai em busca da única parente de que tem notícia. Sua tia, a quem pouco conhece, é uma juíza de raízes judaicas em um tribunal da Polônia dos anos 1960, durante o regime comunista pós-guerra. Mesmo levando vidas bastante opostas, as duas parecem ter em comum o gene da melancolia e a falta de perspectiva com os mundos que as cercam.

Para falar a verdade, nada é assim tão maravilhoso em Ida. Nem a fotografia em preto e branco, que é apenas acertada tendo em vista que o filme fala sobre tristeza. Além disso, é inverno. Ou seja, toda a Polônia está coberta de neve branca. As atuações também não são lá um destaque. Convincentes, sem dúvida. E então fica a questão: ué, mas é um filme para ser tão premiado - para quem não sabe, Ida recebeu nada menos que 67 condecorações ao redor do mundo, tirando o Oscar - assim?

É que em menos de 90 minutos - e está aí outra característica pitoresca desse filme -, Pawel Pawlikowski vai conduzindo o espectador com muita calma até um desfecho arrebatador, que vale pelo resto todo. É perturbador, daquele jeito polonês de ser perturbador.

Ida é uma Noviça Rebelde da vida real.

sábado, abril 11, 2015

Cineminha com a Duda > A Casa Monstro

Pois então! A partir de hoje, terei uma nova - e bota nova nisso - colaboradora para este pequeno e singelo blog. Maria Eduarda Moreira é o nome dela. Tem sete anos, está na segunda série e adora ler e escrever. E, obviamente, feito o pai, também curte ficar de bolete no sofá vendo um filminho. Abaixo, a sua resenha de estreia, sobre uma animação que vimos juntos.

Com as palavras, Duda. Palavras dela mesmo, de verdade.

Eu vi esse filme no meu Now. O filme é sobre um homem que tinha uma casa mostro e dos meninos que se chamavam DJ e Bocão. É assim: tinha um menino e a mãe dele viajou. E o DJ ficou um pouco com o amigo dele, que era o Bocão. O Bocão acabou jogando a bola na casa do vizinho que tinha uma casa-monstro. Só que o Bocão e o DJ não sabiam que a casa era um monstro. Aí eles foram até a casa do vizinho para pegar a bola. E quando caiu essa bola o vizinho saiu da casa e brigou com eles. Aí eles encontram uma menina chamada Jenny e ficam apaixonados e o DJ convida ela para ajudar a ver o problema da casa. Eles acabaram numa aventura monstruosa!

A parte que eu achei mais monstruosa foi a parte em que a casa virou um monstro terrível. E os personagens que eu mais gostei foram o DJ e a Jenny. Também gostei do Bocão. Todos são bons. E tem um personagem aterrorizante que é o velhinho que morava na casa. A parte que eu mais gostei foi quando os policiais foram engolidos pela casa.

Eu acho que vale a pena conhecer esse filme.

quinta-feira, abril 09, 2015

Tusk, de Kevin Smith

Posso ser rápido e rasteiro e fazer um trocadilho besta para definir o novo filme do rei dos geeks, um cara legal, Kevin Smith > Tusk é tosco. Mas é um tosco complexo. Não é qualquer tosqueira, não. É um daqueles casos que se enquadra na categoria das coisas que deixam você boquiaberto e sem saber se são boas ou ruins, mas que são certamente dignas de recomendação.

O roteiro, tosco, foi inspirado numa brincadeira que surgiu num dos episódios do podcast de Smith - que, diga-se de passagem, é um sucesso estrondoso entre os nerds do mundo todo. Após ler uma notícia verídica sobre um canadense excêntrico que oferecia hospedagem gratuita aos hóspedes que aceitassem vestir uma fantasia de morsa, o velho Kevin lançou duas hashtags no Twitter: uma delas, dizia sim para um filme fictício com o argumento baseado na tal notícia; o outro, um não. Qual delas vocês acham que ganhou?

Então, lá foi ele, Kevin Smith, o cara dos nossos filmes preferidos, tipo O balconista, Mallrats, Procura-se Amy e até Red State, fazer um filme sobre um sujeito que é sequestrado por um velho excêntrico que sonha em transformar um ser humano em uma morsa. Tosco?

Pois bem, Tusk tem lá suas semelhanças com a labuta de seu criador. O protagonista que sofre a transformação é um podcaster que publica na internet um vídeo de um moleque estranho cortando a própria perna acidentalmente. As semelhanças acabam aqui. Porque o resto é uma viagem! O vídeo faz tanto sucesso que ele vai até o Canadá entrevistar o pobre coitado desmembrado. No entanto, quando chega lá, acaba descobrindo que o garoto tirou a própria vida, motivado pela repercussão negativa do vídeo. Sem qualquer remorso, procura desesperadamente um personagem estranho que pague os 500 obamas gastos com a passagem de avião. Acaba seduzido por um anúncio no banheiro de um bar que fala sobre um marinheiro cheio de aventuras. Uma delas, envolvendo... uma morsa.

Aí, vocês já devem imaginar o que acontece. É uma espécie de Centopeia humana dirigida por um nerd. Dá para entender? A transformação do sujeito em morsa é lenta, dolorosa e angustiante - muita gritaria, muita agulha e linha, muito sangue, muita pele, muitos nacos de carne. O filme, que até o fim da primeira metade é uma comédia de humor negro com tons sombrios, se torna um híbrido de filme B com gore, com um desfecho que de tão vil e bizarro confunde a cabeça de quem aguenta a projeção até o fim (partindo de mim, isso é um baita elogio, não se enganem).

O pior, ou melhor, ou sei lá, é que Kevin Smith é um diretor de mão cheia. A fotografia do filme é ótima, sombria, fria. A montagem é bem bacana também, com sequências atemporais que vão construindo a imagem humanizada (olha aí a narrativa bacana) do protagonista para depois desconstruí-la completamente. A maquiagem é muito, muito, mas muito boa! Ou seja, a morsa humana é realmente asquerosa e dá até um certo incômodo - principalmente na cena em que ela é forçada a nadar pela primeira vez num tanque de água. Imagina aí.

No fim das contas, Tusk é como aquelas brincadeiras que acabam passando um pouco do limite: você até dá risada, mas meio cabreiro.

E eu só pensava naquela música dos Beatles!