sexta-feira, março 06, 2015

Resenha e homenagem póstuma > Jornada nas Estrelas, de Robert Wise

Faz um tempo que eu queria escrever sobre Star Trek, o filme de 1979 dirigido Robert Wise. Agora que Leonard Nimoy se foi, com certo atraso faço aqui uma resenha e uma homenagem póstuma ao ator, eterno Spock, com suas orelhas pontiagudas e sua incrível prestidigitadora forma de comunicação com civilizações extra-terrestres.

Comprei o filme nas Americanas, numa daquelas gôndolas promocionais que vendem DVDs, essas mídias fadadas ao olvido, a versão original que foi às telas de cinema. Uma produção caprichada, mas que dividiu os fãs da série televisiva que já existia desde a década de 1960. Alguns gostaram, outros odiaram. Eu não fui verdadeiramente um fã da série, apesar de acompanhá-la naquelas tardes da extinta Rede Manchete (se não me engano, ia ao ar logo após Incrível Hulk, aquela série com o Bill Bixby). Pois eu adorei.

A primeira vez que vi a versão cinematográfica de Jornada nas Estrelas eu ainda era menino, e confesso que Guerra nas Estrelas, com sua aura de aventura fantástica, me enchia mais os olhos. Aliás, essa era uma diferença fundamental entre as duas franquias. Enquanto Luke e os jedis seguiam os moldes das narrativas heroicas, no melhor estilo Joseph Campbell (vide O mito do herói), a turma da USS Enterprise seguia a linha mais científica, ousando não somente numa argumentação sustentada pela astrofísica, mas também no design de produção.

O ótimo roteiro do filme de Wise surpreende. Inclusive, por ser ele o diretor. Explico aqui > é ele o responsável por um dos filmes que mais detesto neste mundo, a saber, A Noviça Rebelde. Ok, ele dirigiu o fantástico O dia em que a Terra parou - e uma vez que Spock não sai correndo e cantando feliz da vida em nenhuma pradaria alienígena, a minha implicância com Wise fica de lado. Aqui, no primeiro longa de Jornada nas Estrelas, o já lendário capitão Kirk precisa levar a Enterprise até uma misteriosa nuvem que destrói o que encontra pela frente e, pior, está a caminho da Terra. Para isso, conta com alguns personagens da série televisiva, incluindo o diplomata estelar (predicado por minha conta) Dr. Spock.

O clima de suspense é realmente fantástico! O desfecho, quando conhecemos as reais intenções por trás da força alienígena que ameaça os humanos, é bastante criativo e suscita questões que seriam abordadas intensamente nos filmes de ficção-científica a partir de então. Os efeitos especiais são bem bacanas. Há também uma cena curiosa e emblemática que mostra um dos ícones da série televisiva, o teletransporte, dando errado.

Um excelente exemplar cinematográfico de boa ficção-científica, por mais que os fãs ardorosos da série possam ter se decepcionado.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Não assisti ao "Star Trek" original, mas tenho plena consciência da mitologia que envolve essa série, ainda mais os seus personagens, como Spock. Por isso mesmo a comoção em torno da notícia do falecimento do Leonard Nimoy. Parabéns, então, pela homenagem feita a ele por aqui.