quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan

Sou da opinião que Christopher Nolan é um diretor com uma mania irritante: a de complicar o que já é bem complexo. Seus filmes têm roteiros que dão um nó na narrativa para depois tentar puxar uma pontinha frouxa e salvar o argumento. Mas aí, quando a gente vê, já é tarde demais e o nó não tem mais como ser desfeito. É nessa hora, sempre lá para os vinte minutos finais, que a corda dele fica com um nó na altura do pescoço. E como ele se livra disso? Com a tesoura do clichê.

Em Interestelar é assim. O argumento é primoroso! Bem cuidado, bem amarrado e bem crível - o que já é 80% de sucesso para um bom filme de ficção-científica. Tanto que a gente até esquece essa babaquice midiática de que esse foi o filme mais longo já rodado em IMAX. Roteiros que trabalham em cima de hipóteses plausíveis costumam prender a atenção do espectador mais desacostumado com teorias científicas, até mesmo quando se trata de física quântica, um assunto muito comentado, mas muito pouco compreendido.

Nolan faz certinho. Explica as entrelinhas das equações físicas, apresenta seus personagens com bastante calma e coloca em discussão questões existenciais, envolvendo o espectador num cenário futurista não muito distante e bastante possível no qual a humanidade enfrenta uma praga agrária. Além da escassez de comida no mundo inteiro, a atmosfera da Terra sofre com tempestades de poeira, ficando com níveis muito baixos de oxigênio e sentenciando os humanos à morte lenta.

É aí que entra o protagonista Cooper, um ex-piloto da NASA que aceita fazer parte de um projeto secreto, já que a agência espacial, em si, também se torna uma organização secreta: enviar expedições através de um buraco de minhoca (a saber, uma ainda hipotética dobra no tecido do espaço-tempo que possibilitaria percorrer distâncias inimagináveis em pouquíssimo tempo) que aparece misteriosamente perto de Saturno. Daí, já do outro lado do buraco, duas hipóteses: mandar um sinal de volta quando achar um planeta habitável ou começar uma colônia espacial para dar continuidade à raça humana. E adeus, planeta Terra.

Diz aí, que baita argumento, hein!?

Como entusiasta do assunto, as primeiras horas de filme foram intensas para mim. E acredito que para a maioria dos espectadores. Tem lá uma referência a 2001, uma odisseia no espaço meio esquisita, que não combina nada com o diretor, mas o ritmo é bacana. Até o momento em que Nolan, depois de 400 reviravoltas das mais complexas, mas que a gente até aguenta, se vê num beco sem saída. E aí resolve abandonar as especulações científicas e inventa de botar na jogada um buraco negro... Pronto, está dado o ensejo para criar umas sequências desastrosas, inundadas de sentimentalismo barato e com um desfecho terrível que deixa, obviamente, algumas questões em aberto.

Ô mania chata de complicar as coisas.

4 comentários:

Leela disse...

Concordo totalmente! Que final desnecessário, me senti como se estivesse assistindo outro filme.

Kahlil Appel disse...

É um filme que começa muito bem, mas acaba com o um terceiro ato que destoa totalmente do resto do filme.

http://filme-do-dia.blogspot.com.br/

Kamila Azevedo disse...

Concordo que Christopher Nolan, propositadamente, complica o que já é complexo. Acho que isso faz parte até do mito em torno dele. Apesar disso, acho que "Interestelar" levanta discussões interessantes.

Monica Bueno disse...

Oi, Dudu!
Assisti ao filme esta semana. É, demorei, rs. Diferentemente das outras pessoas, achei só OK. Gostei de muita coisa (fotografia, teoria, argumento, elenco etc.), mas aí, na outra galáxia... E aquele final? Pensei "só eu detestei isso?". Então lembrei de você. Claro, sem surpresa, vi que você tem exatamente a mesma opinião que eu sobre o filme. Morrendo de saudades!