quarta-feira, agosto 27, 2014

#24 - Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite

Em 1977, muitas crianças ficaram definitivamente com medo de entrar no mar para dar um mergulho. Também, pudera: não bastasse o Tubarão de Spielberg, ganhava as telas mais um clássico do gênero, Orca - a baleia assassina. A produção de baixo orçamento elevou ao status de predador voraz o mamífero, que passou a ser um animal admirado pelos humanos.

O resultado disso foi a criação de parques temáticos onde o bicho era exibido, colocando os visitantes diante de uma espécie de experiência aterrorizante e maravilhosa. Era possível treinar as baleias - vislumbraram alguns ditos especialistas no assunto. Não demorou muito e, na Califórnia, surgiu o primeiro parque no qual uma orca era exibida. E não demorou muito, também, para que o primeiro ataque ao treinador acontecesse - uma vez que as consequências do cativeiro foram ignoradas.

Anos após o acidente, mesmo sob avisos, o então recém-aberto Sea World resolveu comprar a "baleia assassina" para ser a pareadora dos animais de seu parque. Sob a alegação de que o cativeiro é necessário para preservar a espécie e aproximar o homem do animal, os show continuam até hoje. No entanto, agora, e há pouco tempo, sem a interação física entre treinador e baleia.

Blackfish, indicado ao Oscar de Melhor Documentário, investiga e questiona a necessidade dos shows com baleias, e mostra como é difícil transpor a barreira cultural que foi solidificada pela indústria do entretenimento. O material de apoio é bastante rico. Você vai ver cenas reais e angustiantes de treinadores sendo atacados pelas baleias, estressadas pelo cativeiro e por suas péssimas condições de infraestrutura. Além disso, biólogos e ex-treinadores dão seus testemunhos - a favor e contra o Sea World.

Você vai pensar duas vezes antes de aplaudir uma baleia pulando numa piscina diante de uma arquibancada cheia.

Um comentário:

Kamila Azevedo disse...

Esse documentário é muito pungente, Dudu! Um verdadeiro absurdo o tratamento dispensado às baleias. Um filme de depoimentos contundentes e de argumentos consistentes - tanto que tem causado a reflexão sobre o trabalho de parques como o Sea World. O filme modificou a maneira como as pessoas veem esses negócios. Que bom! Isso é parte da função do cinema!