quinta-feira, maio 01, 2014

#22 - Only lovers left alive, de Jim Jarmusch


É fantástico para alguém que adora cinema poder conferir um filme novo de um dos seus diretores prediletos. No meu caso, Jim Jarmusch está no top 3. Em Only lovers left alive ele mantém a aura underground que o consagrou como um grande realizador do cenário independente - a mesma que ainda faz com que muita gente classifique seus filmes como produções excêntricas, numa demonstração de reducionismo que dá força ao esvaziamento do cinema como suporte para contar boas histórias, tratando-o meramente como aporte para gerar lucro. Ainda bem que Jarmusch não liga para isso.

Aqui,ele conta a história de um casal de vampiros que vaga pela Terra há alguns séculos, e que se adapta ao meio em que vive de forma a não causar nenhum dano aos humanos. Adam - ou, simplesmente, Adão - é um virtuoso músico recluso de Detroit, colecionador de guitarras raras e apreciador do rock, mesmo tendo conhecido grandes compositores. Eve - ou, simplesmente, Eva -, interpretada de forma irretocável pela monstruosa Tilda Swinton, é uma misteriosa e elegante mulher que perambula pelos becos históricos de Tânger, no Marrocos. A relação dos dois com os humanos, e entre eles mesmos, é posta em xeque quando percebem que a humanidade caminha para a barbárie.

Jarmusch sempre alegou que a beleza da vida está nos pequenos detalhes, e não nos grandes acontecimentos. Isto posto, o espectador acostumado com a linguagem narrativa do diretor vai se deliciar, justamente, com o delicado tratamento que o roteiro recebe. É um filme para ser apreciado, e não apenas visto. Cenários, atuações, montagem, fotografia e trilha sonora são impecáveis, e somam à experiência.

Destaque para a cena em que eles assistem, atônitos, ao videoclipe de "Soul Dracula" - uma sequência que deixa às claras o estilo e a grife incomparáveis de Jarmusch.