quinta-feira, março 13, 2014

#18 - Philomena, de Stephen Frears

Stephen Frears é macaco velho, calejado, experiente. E querido também - dirigiu Alta Fidelidade! Mas parece que ele não soube escapar da armadilha que os filmes baseados em histórias reais escondem em seus promissores roteiros. Já comentei anteriormente aqui, reitero > é preciso muito cuidado e talento para que o argumento não dê mais peso ao protagonista do que ao fato em si, sob pena de tornar o filme uma mera biografia.

O argumento de Philomena é tenebroso, macabro, lúgubre. Porra, é uma denúncia e tanto. Freiras de um orfanato negociavam a adoção dos bebês de suas internas sem o consentimento das mesmas. Temos aí um assunto cabeludo para ser desenvolvido. No entanto, por conta do tratamento do roteiro - e, obviamente, o talento indiscutível da protagonista - o filme é só Judi Dench. Seu companheiro de cenas, convenhamos, não ajuda muito. Trata-se de um estereótipo ridículo de jornalista interpretado pelo respeitável Steve Coogan. Seu personagem é arrogante e vaidoso, daqueles que põem o pé na porta para não tê-la batida na cara, achacam as pessoas com ironias e exercitam um pretensioso faro jornalístico do tipo detetive particular de pulp fiction.

Está lá a denúncia, sim. Rasa, meio amedrontada de seguir adiante e com os holofotes completamente voltados para a tal Philomena que dá nome ao filme. Uma opção de Frears, é verdade. Porém, e justamente por isso, o que faz valer o ingresso é somente Judi Dench.

Sessão da tarde. Dado o diretor, podia ter sido um filmão.

2 comentários:

Kamila disse...

Lamento, lamento, lamento profundamente ter perdido a chance de ter conferido "Philomena" no cinema. Tenho certeza de que iria amar esse filme.

Eduardo Starling disse...

Long time no see!

Caí certinho no conto 'sessão da tarde' do Frears: embalei no passeio da Judi Dench de tal forma que ao sair da sala de cinema eu mal lembrava de todo o argumento das freiras mercantilistas.

Grande abraço!