quinta-feira, fevereiro 20, 2014

#12 - Nebraska, de Alexander Payne

Há muitas similaridades entre Nebraska e Paris, Texas - este, um dos meus filmes prediletos de todos os tempos. Talvez, por isso, tenha ficado completamente encantado com a produção dirigida por Alexander Payne - que não é lá um Wim Wenders, mas tem acertado nos últimos anos. Ao contar uma história que tem no título sua própria terra natal, ele empresta ao roteiro suas próprias lembranças para falar de como as reminiscências são tão indissociáveis do nosso caráter, daquilo que fomos e no que nos transformamos.

Assim como em Paris, Texas, o filme de Payne tem início com um homem desorientado caminhando pelo acostamento de uma rodovia. No caso, em Montana. Woody Grant é um senhor afetado pela senilidade que, ao receber pelo correio uma propaganda enganosa sobre um prêmio lotérico, insiste em ir até o Nebraska buscá-lo. A cidade fica a aproximadamente 2 mil quilômetros de distância de sua casa. Comovido pela obstinação do pai, mesmo sabendo que o prêmio não passa de uma armação, um de seus filhos resolve fazer a viagem de carro, na esperança de passar um tempo sozinho com o pai e tentar contornar os transtornos que sua condição causam a toda a família.

No longo caminho, a cada parada, Woody vai reencontrando seu passado, enquanto seu filho vai montando as peças de um quebra-cabeça que, ao final, vai dar a real dimensão sobre quem foi seu pai e como seus laços familiares e sociais foram construídos. Nebraska revela seu protagonista da mesma forma que Paris, Texas - lentamente, dolorosamente, paulatinamente. O que parecia ser uma simples história de um homem com a memória afetada pela idade se transforma em um complexo mosaico sobre como as tais memórias podem afetar as pessoas profundamente.

A trilha sonora de Nebraska, composta por Mark Orton, é linda! E contribui para reforçar o tratamento dramático que Payne planejou para o roteiro - da mesma forma que Ry Cooder foi preciso e indispensável para Wim Wenders ao compor uma das trilhas sonoras mais bonitas da história do cinema.

E mais: direção de atores perfeita, atuações impecáveis, fotografia em preto e branco, uma montagem caprichada... Enfim, um filmaço!

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