sexta-feira, janeiro 17, 2014

#7 - Antes da meia-noite (Before midnight), de Richard Linklater

A trilogia de Richard Linklater fez sucesso. Demorou 18 anos para que o diretor a fechasse - e é este o mesmo intervalo de tempo que os roteiros percorrem junto aos personagens. Em Antes da meia-noite, o casal Ethan Hawk e Julie Delpy já tem duas gêmeas, e o rapaz, agora um escritor bastante famoso, precisa rebolar para se sentir menos culpado por não dar tanta atenção ao filho do primeiro casamento. É justamente esse fato que norteia os intermináveis diálogos do filme de Linklater.

Pode até parecer que a direção é naturalista e aceita o improviso. Errado. As linhas e mais linhas de diálogos foram exaustivamente ensaiadas. Logo, é ponto para os atores, que deixam o argumento fluir de modo bastante realista. O problema é o conteúdo dessas conversas. O filme acaba virando uma espécie de reality show, mas com gente mais interessante, obviamente. Mesmo assim, com conteúdo, são quase duas horas de poucos planos e muita fala. Fala-se inglês, francês, grego... Tem gente bonita (um casal fofo), paisagens estonteantes (o filme é ambientado na Grécia), comida farta (dieta mediterrânea) etc. Durante dois terços de projeção, é só isso.

É só durante o terço final do filme, quando realmente o argumento apresentado no início é posto à prova, que a coisa fica verdadeiramente interessante. Os atores se superam, os diálogos prendem o espectador e Linklater mostra por que é um bom diretor.

Só não precisava demorar tanto para chegar nessa parte.

2 comentários:

Kamila disse...

O que eu gosto nessa trilogia é que tudo me parece ser muito natural e acho que isso é resultado da forma como Richard Linklater aborda a trama e da química resultante do encontro entre Julie Delpy e Ethan Hawke. Gosto também muito da maneira sincera que este filme fala sobre o amor, uma vez que, normalmente, a visão do cinema para o amor e muito idealista. O que a gente vê, nessa trilogia, é justamente o contrário: a vivência da rotina do amor, com seu lado bom e ruim.

Douglas Nogueira disse...

A trilogia e o filme são muito relevantes, mas confesso que dão um soninho...