quarta-feira, maio 01, 2013

#18 - Rota irlandesa (Route irish), de Ken Loach

Cinema político é para muito poucos. Não adianta, Ben Affleck. Não adianta, Kathryn Bigelow. Para argumentar politicamente em roteiros dramáticos é preciso ser, tipo assim, um Ken Loach - alguém comprometido com uma visão de mundo que vai além do estrelato e da fortuna ofuscantes de Hollywood. Anos depois de ser produzido e lançado lá fora, em 2010, Rota irlandesa chegou aos cinemas daqui no ano passado. Passou despercebido, coitado.

O filme dramatiza uma espécie de denúncia pertinente do pós-guerra no Iraque. Trata-se da proliferação de mercenários e grupos paramilitares atuando em Bagdá em busca de lucro com a situação de tensão permanente em que o país se encontra. O título do filme faz menção a uma das estradas mais perigosas do mundo, a tal rota irlandesa, que liga o aeroporto de Bagdá à chamada Zona Verde, uma área militarizada de segurança máxima que se tornou, também, o símbolo máximo da ocupação estadunidense no Iraque.

Acompanhamos a história de Fergus, um ex-militar inglês que trabalha para uma empresa de segurança privada que escolta estrangeiros pela rota irlandesa. Depois que seu amigo, também segurança, é assassinado brutalmente em serviço na região, ele busca desvendar o que realmente aconteceu. E dá de cara com uma realidade cruel e assustadora, onde manipula-se a guerra para benefícios escusos.

Loach não tem orçamento milionário. Seu filme é simples na estética, sem ousadias, sem explosões pirotécnicas, sem edição ligeira, sem atores badalados. É o conteúdo a grande estrela de Rota irlandesa, que se sobressai e salta aos olhos do espectador.

Ken Loach sempre vale a pena. Vale por uma aula de política internacional.

2 comentários:

Kamila disse...

Ken Loach sempre faz muito bem esses filmes de teor político. Apesar de não conhecer muito de sua filmografia, gosto do pouco que conheço. Aqui em Natal, estreia nessa semana, um dos filmes dele, o "A Parte dos Anjos", e claro que eu irei assistir.

andressa disse...

irish is good stuff, at all.