domingo, março 31, 2013

#17 - Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

Muita gente por aí diz que Wes Anderson é um diretor indie. E por dois motivos. O primeiro, meio óbvio, é que o cara faz filmes independentes, sem estar atrelado aos grandes estúdios, o que lhe dá uma certa liberdade para exercer sua criatividade - e que criatividade! O segundo motivo, de cunho pejorativo, faz menção àquele estilo meio hipster que frequentemente é mal interpretado. Indie, hipster, cool ou não, fato é que pouquíssimos diretores sabem se utilizar tão bem da linguagem cinematográfica quando vão contar uma história. E, além disso, menos ainda sabem que cinema ainda é, lá no fundo, em sua essência, uma forma de contar histórias.

Seu novo filme é uma pequena fábula sobre o amor juvenil. No caso, entre um escoteiro órfão e uma adolescente lacônica superprotegida pelos pais. Ele foge do acampamento e ela, de casa. O casal de pombinhos marca um encontro no meio das pradarias da ilha onde moram, em busca de emancipação. Logo, colocam toda a localidade em alerta.

Como em todos os filmes de Anderson, os personagens são geniais. Ordinários por fora, complexos por dentro. E, justamente por serem tão simples, meio antiquados, esquisitões até, a identificação com pelo menos um deles é certa. Justamente o que faz com que a narrativa funcione, ainda que o argumento seja boboca. E é justamente por isso que Anderson tem o seu valor > estivesse esse roteiro nas mãos de outro realizador, um que não tivesse o apreço e o gosto pela direção de arte hipster ou indie, o resultado seria enfadonho.

Anderson é sujeito que conhece a fundo o ofício. Sua produção é tão caprichada, que dá gosto de ver. Fotografia, figurinos, trilha sonora, diálogos. É nítida a preocupação que ele tem com cada detalhe, o que faz, no fim das contas, com que o filme seja ímpar, só dele e de mais ninguém. Uma rubrica indelével. Além disso, sua habilidade para direção de atores é genial. Não à toa, seu elenco é primoroso e rende irretocavelmente. O casal protagonista é absolutamente incrível. Dois atores mirins com um futuro formidável. Tem Frances McDormand, uma das melhores atrizes em atividade há muito tempo. Tem Bruce Willis em um papel que não é de Bruce Willis. Tem o fantástico Bill Murray. E tem até Edward Norton, que ficou meio esquecido.

Se você catar pelo YouTube, vai encontrar vídeos humorísticos de como seriam alguns sucessos de bilheteria se fossem dirigidos por Wes Anderson. Tem Guerra nas Estrelas e Senhor dos Anéis. Uma piada com o jeito dele de fazer filmes. Ou seria um lisonjeiro reconhecimento pelo talento?

Fico com a segunda opção.

2 comentários:

Kamila disse...

Eu acho que esse é o melhor filme da carreira do Wes Anderson, que mostra a maturidade dele como diretor. Porém, foi a constatação final para mim de que o cinema dele não me desce. Não consigo gostar do mesmo jeito que as outras pessoas. Achei legal ele retratar o amor do ponto de vista ingênuo e inocente, infantil, mas o roteiro desse filme é muito cheio de exageros, de liberdades criativas, de bizarrices.

Ygor Moretti disse...

Muito bom o filme, fui assistir assim meio sem expectativa nenhuma o que sempre ajuda é? Mas esse clima do Anderson sempre cria entre coisas banais e surreais acho muito legal...

Ah tem como colocar link do www.moviemento.blogspot.com no blogroll? abraço!!!