segunda-feira, fevereiro 18, 2013

#12 - Django livre (Django unchained), de Quentin Tarantino

Sempre que gosto muito de um filme, acho que a resenha fica ruim, enfadonha, baba-ovo, mela-cueca, nhé nhé nhem etc. Acho que não vai ser diferente com esta aqui, que trata do novo filme do Tarantino, o qual fiz questão de ver na tela grande. Não canso de repetir por aqui que o cara é um gênio. A cada filme que lança, cumpre as expectativas - se não as supera. Ninguém sabe melhor se apropriar de linguagens estéticas e cinematográficas do que ele. Faz isso com uma maestria tremenda, reinventando seu cinema.

Desta vez, em Django livre, ele brinca com os famosos e cultuados spaghettis italianos, westerns de baixo orçamento que pegavam carona no sucesso das produções de mestres como Sergio Leone, Sam Peckinpah e o precursor de todas as ideias filmadas no gênero, o cara cujos roteiros e argumentos foram copiados à exaustão, o inigualável John Ford.

Para homenagear os spaghettis, Tarantino escolheu uma produção italiana de 1966 que trazia o então galã Franco Nero como protagonista. Django foi um dos cowboys mais famosos da tela grande, ganhando centenas de continuações errantes numa espécie de franquia cinematográfica não autorizada. Houve uma época em que quase todos os mocinhos se chamavam Django, mesmo sem um pingo de semelhança com a história do personagem levado às telas por Sergio Corbucci, diretor do original.

Tarantino se apropria do nome, dos cenários, da belíssima trilha sonora original e até da tipografia dos créditos. Seu Django começa como o da década de 1960, numa paisagem árida. A diferença está no roteiro - e que diferença! O filme de Corbucci conta a história de um pistoleiro boa pinta, loiro, de barba mal feita e olhos verdes, que se vê numa enrascada após salvar uma mocinha. A caminho de uma cidade para devolver a bela donzela à liberdade, percebe que está no meio de um conflito entre membros da KKK e mexicanos malvados. No filme de Tarantino, Django é negro e se junta a um caçador de recompensas que lhe compra à força de mercadores sulistas ignorantes. Juntos, os dois vão em busca de um punhado de dólares (só para fazer um trocadilho com o gênero) e da esposa de Django, cujo paradeiro ninguém sabe ao certo.

Django é cinema na mais pura acepção da palavra. A projeção dura quase três horas, mas poderia durar mais três que não haveria problema. É entretenimento inteligente, que não abre mão do leque de opções que a linguagem cinematográfica permite. A quantidade de referências aos westerns inunda a tela de forma arrebatadora. No entanto, mesmo quem não é um admirador do gênero se diverte com as boas sacadas, os diálogos impagáveis e as reviravoltas geniais, marcas registradas de Tarantino.

Precisamos falar de Christoph Waltz, um dos melhores atores de cinema de todos os tempos. Alguém discorda? Sua caracterização é absolutamente perfeita, magistral. É impressionante, além do carisma e da competência, a facilidade do ator em interpretar qualquer papel. Seu Dr. King Schultz, dentista e caçador de recompensas, é tão intenso e profundo quanto o caçador de judeus Coronel Hans Landa. A dupla que faz com Jamie Foxx, o Django, é de uma harmonia só antes vista em Butch Cassidy, outro clássico do western, com Paul Newman e Robert Redford. Vale também bater palmas para os excelentes trabalhos de Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson.

Diversão do começo ao fim. E que fim. Simplesmente genial!



PS: quem será aquela moça de máscara vermelha e machado na mão? Segundo o diretor, há uma história só para ela...

PS2: ficou bem espivetada essa resenha, hein?

Um comentário:

Kamila disse...

A resenha está ótima! Nada de espevitada! É bom se empolgar, de vez em quando, com um filme! rsrsrsrs

Eu gostei de "Django Livre". Acho um filme que comprova a maturidade de Tarantino como diretor. Só acho que ele peca por alguns excessos cometidos no trabalho de direção. Especialmente no excesso de duração e de violência. Mas, acho que isso é um reflexo da paixão do Tarantino pelo ofício de diretor, por fazer filmes. E ele está perdoado por isso!