domingo, fevereiro 10, 2013

#10 - Deus da carnificina (Carnage), de Roman Polanski

Adaptar literatura dramática para a telona é algo complicado, que requer um cuidado dobrado por parte do diretor. Quando o texto é quase todo na íntegra e o espaço cênico é um só - no caso, um apartamento no subúrbio de Nova York - a tarefa fica mais complicada ainda. A câmera faz apenas o papel dos olhos do espectador. Ou seja, a direção de atores precisa funcionar para que os ouvidos, esses que são tão importantes quando se vai ao teatro, estejam atentos ao texto.

Polanski é um diretor experiente. Juntou quatro igualmente experientes atores para filmar Deus da carnificina, sucesso em palcos italianos do mundo inteiro, de uma só vez, sem parar, exatamente como num espetáculo teatral. São eles: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly. Dois casais que concordam em se reunir depois que o filho de um agride o do outro. O que era para ser um encontro de reconciliação acaba se tornando um embate que envolve conceitos éticos valores morais. À medida em que a discussão avança, os quatro se veem cada vez mais presos à discussão.

Por mais que o texto seja interessante, seu conteúdo não é exatamente tão denso a ponto de provocar o espectador. O trunfo está na forma absurda, invocando o Anjo exterminador de Buñuel, com a qual os personagens interagem com o ambiente, a ponto de não conseguir abandonar o pequeno apartamento em que se dá o embate. O mérito de Polanski está na maneira como adapta boas sacadas da peça ao filme - fazendo, inclusive, uma ponta como um vizinho que estranha o barulho da discussão no corredor do prédio, obrigando os quatro a voltar, novamente, ao apartamento.

Merece aplausos.

2 comentários:

renatocinema disse...

Eu amei esse filme.

Polanski foi sábio, na minha visão, ao escolher quatro ótimos atores.

Filmes em lugar único exige talento nas atuações e direções, isso o filme possui.

Kamila disse...

Gostei muito desse filme. Tem essa forte característica teatral, mas o tema em si é muito forte e a direção do Polanski valorizou seu ótimo roteiro e, principalmente, um elenco afiadíssimo. Particularmente, gostei da metáfora de colocar os pais como as crianças mimadas que eles evitavam que seus filhos se tornassem. Sensacional, isso!