quarta-feira, janeiro 30, 2013

#6 - Inquietos (Restless), de Gus Van Sant


É o tipo de filme que eu evito já pela sinopse > durante um velório, uma jovem com um tumor no cérebro conhece um garoto que frequenta funerais de desconhecidos. Impossível não lembrar daqueles dramalhões terríveis da Sessão da Tarde e do Supercine sobre histórias reais de dor seguidas de superação ou resignação. A diferença, aqui, e que teve um peso enorme na minha decisão de ver o filme, é a direção de Gus Van Sant, sujeito pouco afeito aos clichês romanescos que tanto inundam os olhos e os roteiros do gênero dramático.

Pois bem, é dessa relação improvável que parte o argumento de Inquietos. O garoto tenta aprender a lidar com a vida, e a garota precisa aprender a lidar com a morte. Essa troca de experiências leva os dois a tentar compreender questões nada simples que envolvem amor, família, religião etc. Ou seja, era muito fácil cair na tragédia.

O casal protagonista é absolutamente fantástico. Van Sant abandona o estilo liberal para delinear metodicamente sua direção de atores. Arranca atuações emocionantes sem ser piegas. Henry Hopper e Mia Wasikowska convencem o espectador a compartilhar das angústias que ambos vivem.

No fim das contas - ou melhor, da projeção - fica uma espécie de admiração ao diretor por permitir a quem não curte dramalhões exagerados poder mergulhar de forma satisfatória num argumento que permeia questões caras a todos nós. O desfecho é lindo. Simples, comovente e sem lágrimas a granel.

Fica o meu agradecimento ao Van Sant. Obrigado, cara.

Um comentário:

Kamila disse...

Gostei do seu texto. Da forma incrédula inicial ao encantamento final com o filme. A Mia Wasikowska é uma ótima atriz, uma jovem muito talentosa. Que bom que, tanto ela, quanto o rapaz, estão bem em "Inquietos". O Gus Van Sant é perfeito para dirigir filmes assim.

Tendo em vista tudo que disse, ainda não assisti ao filme. Espero fazer isso em breve.