sábado, julho 07, 2012

#17 - Valhalla Rising, de Nicolas Winding Refn

Depois de fazer barulho em festivais internacionais com o ótimo Bronson e levar para casa uma estatueta com o irretocável Drive, Nicolas Winding Refn colocou seu nome sob os holofotes. Dono de um estilo próprio, o diretor dinamarquês já tinha o domínio da técnica cinematográfica desde os seus primeiros trabalhos. O longa Valhalla Rising é de 2009, período entre os dois tais filmes supracitados que ganharam notoriedade internacional. No entanto, sabe-se lá por quê, é um filme que acabou subestimado, deixado de lado. E é, também, vejam só, o preferido do próprio Refn.

O roteiro é um primor! Com apenas 120 linhas de texto, ambientado no ano 1000, conta a história de um misterioso guerreiro que é feito prisioneiro por um grupo de pagãos - talvez os vikings, dado o título do filme (Valhalla era a cidade para onde os honrados guerreiros vikings iam após morrerem em combate) e algumas semelhanças entre o protagonista e Odin. Chamado de One Eye, uma vez que possui apenas o olho direito (de acordo com a mitologia nórdica, Odin se sacrifica furando seu próprio olho), o prisioneiro silencioso, que não emite uma palavra sequer, consegue escapar e acaba encontrando guerreiros cristãos. Convencido a embarcar com eles, parte rumo a uma dita terra santa, cheia de riquezas, onde precisará lutar em nome do deus cristão. Porém, o barco é encoberto por um inexplicável nevoeiro, e vai parar em um lugar bastante esquisito.

Esqueça tudo o que você já viu sobre filmes de duelos medievais. Valhalla Rising é absurdamente superior a tudo o que já foi filmado até hoje sobre o tema. Inclusive, mais violento também. Há cenas bastante intensas ao longo da projeção. A fotografia é maravilhosa, a trilha sonora é assustadora, a direção de atores é primorosa e o roteiro é absolutamente coeso. A história é dividida em seis capítulos, numa espécie de epopeia: Vingança, Guerreiro Silencioso, Homens de Deus, Terra Sagrada, Inferno e Sacrifício. De forma sutil, Refn demonstra como a religião é capaz de sobrepujar o instinto humano.

Um filmaço! Para quem exige um pouco mais do que ação e aventura de filmes sobre civilizações antigas.

Um comentário:

renatocinema disse...

Ao dizer que o roteiro é um primor.....você me convenceu. Adoro filmes com tramas atraentes.