sábado, julho 07, 2012

#16 - Um verão escaldante (Un été brûlant), de Philippe Garrel

Muita gente torce o nariz para os filmes de Philippe Garrel. São produções densas e lentas, sem fórmulas narrativas convencionais, atemporais, nas quais há um assunto que é desmembrado aos poucos. Ou seja, traduzindo - ou melhor, usando a linguagem burra - é filme cabeça. Quem tem paciência no olhar e dá tempo à imagem para que ela se desvele, acaba curtindo os filmes de Garrel. No entanto, desta vez ele deu uma escorregada. De leve, mas escorregou. Um verão escaldante, seu novo trabalho, tem o charme de seus longas anteriores, mas o tal assunto não é lá tão interessante.

Culpa do argumento, fraco e ordinário. O roteiro conta a história de um rapaz que sonha fazer carreira no cinema. Certo dia, é convidado a passar um tempo com a noiva na casa de um amigo em Roma - trata-se de um jovem e problemático pintor casado com uma veterana atriz de cinema. O casal recém-chegado acaba participando das discussões e infortúnios dos anfitriões, que estão em meio a uma crise matrimonial.

Pouca coisa realmente interessante acontece ao longo da projeção. E, por incrível que pareça, ainda mais quando o filme é de Philippe Garrel, a linguagem cinematográfica é minimamente explorada em sua totalidade criativa. Fica uma coisa meio rasa, desinteressante. Vale, sim, por Monica Bellucci, que sempre acumula predicados: atriz competente, beirando os 50 anos, ainda dona de uma beleza estonteante. Louis Garrel, figurinha fácil nos filmes do pai e nas produções independentes francesas mais atuais, pouco faz.

Está mais para verão nublado do que escaldante. Mas é um verão nublado francês. Então, até que vale a pena...

Um comentário:

Película Criativa disse...

Acabei de assistir o filme e confesso que esperava mais, mas é uma ótima opção para quem gosta do cinema francês.

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