domingo, abril 22, 2012

#13 - A separação (Jodaeiye Nader az Simin), de Asghar Farhadi

Há um tempo o cinema iraniano deixou de ser matéria para fabricar o clichê do cinéfilo chato, intelectualóide e pedante. Outrora repleto de simbolismo e se apoiando em argumentos que apostavam no estranhamento do olhar ocidental, alguns diretores da terra dos tapetes mais famosos do mundo andaram mudando isso. Asghar Farhadi é um deles. Responsável pelo espetacular Procurando Elly, chamou a atenção dos principais festivais com mais um ótimo trabalho que dá frescor e autenticidade à produção cinematográfica do Irã, A separação.

Apostando numa narrativa contemporânea, com personagens plausíveis em cenários realistas, o roteiro conta a história de um casal à beira do divórcio. Com uma filha em idade escolar e um pai doente, Nader se vê obrigado a contratar uma acompanhante. Um incidente aparentemente simples acaba tomando proporções consideráveis, misturando religião, moral, valores e justiça.

A direção de Farhadi é fantástica. Prende o espectador do início ao fim, com uma simplicidade espantosamente natural. O elenco é de se tirar o chapéu, com atuações inspiradas e emocionantes. O último quadro do filme, uma obra-prima em tempo real, é dolorosamente lento e angustiante - de uma forma tão ordinária, que de certa forma faz referência a cineastas mais antigos, simbolistas, como Abbas Kiarostami e Jafar Panahi. A única deficiência do roteiro é tentar dar um desfecho verbal antes da tal cena final.

A partir de agora, você pode falar que gosta de cinema iraniano sem soar pedante.

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