domingo, março 18, 2012

#9 - A tentação (The ledge), de Matthew Chapman


O diretor Matthew Chapman, que também assina o roteiro de A tentação (por sinal, péssima tradução para o título original, The ledge, que quer dizer “peitoril”), encampou uma cruzada para promover seu filme. Criou um website onde é possível entrar em contato com os atores e promover debates acerca do ponto focal do argumento, o ateísmo.

O bom roteiro conta a história de Gavin (Charlie Hunnam), um homem que está prestes a cometer suicídio se jogando do alto de um prédio. O detetive Hollis (Terrence Howard, em atuação primorosa como coadjuvante) é recrutado para tentar demovê-lo da ideia. Durante o diálogo, os dois passam a se conhecer melhor e até mesmo a dividir seus problemas. Gavin conta o se que passou até que chegasse ao ponto de colocar a própria vida em xeque, enquanto Hollis precisa atender o celular, interrompendo as negociações para resolver uma questão familiar espinhosa.

A trama gira em torno da relação entre Gavin, ateu, com o novo casal de vizinhos, evangélicos. Os diálogos entre os personagens são, na verdade, embates ideológicos. A atuação de Hunnam, abaixo do resto do elenco, enfraquece um pouco as sequências argumentativas cujo discurso precisa ser mais contundente. Patrick Wilson, no papel do antagonista, um religioso ortodoxo, o deixa no chinelo. Liv Tyler, sempre homogênea, cumpre bem seu papel de maria-coitada.

O filme tem um tom de suspense crescente bem arquitetado, principalmente nos minutos finais. O desfecho é bastante intenso e cumpre a promessa de deixar a questão dos limites da fé pairando no ar. A cena exatamente antes dos créditos finais é comovente sem ser piegas. Talvez se o protagonista, porta-voz do argumento, fosse um ator mais experiente, o filme tivesse vigor para se tornar um manifesto ateísta. Não tem força para isso, mas ainda assim é uma boa história, muito bem contada e fundamentada.

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