terça-feira, fevereiro 07, 2012

#2 - Balada do amor e do ódio (Balada triste de trompeta), de Álex de la Iglesia

Álex de la Iglesia é fruto do underground espanhol. Como tal, sempre esteve metido em produções decomprometidas, de baixo orçamento, mas com uma dose extra de criatividade. Seu mais novo trabalho, Balada do Amor e do Ódio, talvez seja o ápice de sua capacidade inventiva, aliada a uma técnica bastante apurada. Sim, fazer filmes de baixo orçamento vale por um doutorado de cinematografia.

No entanto, é preciso deixar claro que, assim como os outros filmes do diretor, este aqui não é recomendado a qualquer um. É preciso ter familiariedade com o gênero. Balada do Amor e do Ódio é violento, intenso, asqueroso, sujo. É também lírico, poético e diferenciado. Um verdadeiro deleite visual.

O roteiro, muito bem planejado, começa em meio à guerra civil espanhola. Um circo é invadido por rebeldes e seus palhaços são forçados a lutar contra o regime totalitário do general Franco. Um deles é Santiago Segura, o eterno Torrente - cujos filmes já foram resenhados por aqui. Seu filho, testemunha ocular de tudo, cresce tentando seguir os passos do pai. Vai parar num circo onde se torna o palhaço triste, ou "escada" - a saber, o palhaço secundário, que sofre com as brincadeiras no picadeiro. Lá, se apaixona pela acrobata que é, justamente, amante do violento e dominador palhaço principal. Pronto, está dado o ensejo para um cruel e sangrento duelo.

Quem tem estômago vai adorar ver as cenas de crueldade que Álex de la Iglesia planejou. Sequências bem planejadas, planos bacanas e fotografia extremamente bem cuidada aumentam o tom farsesco dessa tragédia circense. Todaa carnificina apresentada, por incrível que pareça, é de encher os olhos.

E tem palhaçada? Tem, sim senhor. Ou não seria um filme de Álex de la Iglesia...

Um comentário:

Kamila disse...

A técnica é sensacional, mas eu ODIEI esse filme. Nunca diria que o roteiro é bem planejado! ODIEI mesmo!