quinta-feira, janeiro 26, 2012

#1 - Um conto chinês (Un cuento chino), Sebastián Borensztein

Os brasileiros, mesmo os mais bairristas, aprenderam a apreciar o cinema argentino - muito bem feito, sempre nas cabeças mundo afora, inclusive em premiações. Criatividade, os caras têm de sobra. Um conto chinês é mais um exemplo de roteiro enxuto, coeso, criativo e cativante. Bom, né? Nem tanto. O problema todo é quando a mira enquadra, ao invés do público, a indústria. Lamentavelmente, o filme estrelado por Ricardo Darín - espécie de Tony Ramos argentino, tipo queridão da mídia e das massas - engendra uma armadilha para o espectador.

O começo é ótimo, e tudo vai bem até os derradeiros minutos finais. Uma vez que o roteiro propõe uma situação inusitada, beirando o absurdo, o desfecho é, obviamente, valorizado. Aqui, Darín interpreta um sujeito solitário que encontra um chinês perdido no meio da estrada. A incapacidade de comunicação entre os dois é o que torna o filme divertido.

Só não precisava, mesmo, era de um desfecho tão pobre e patético, digno das piores produções hollywoodianas - nas quais sobra dinheiro, mas falta criatividade. Aqui, faltou também uma certa dose de coragem e uma pitada de ousadia. Não dá para explicar o fato sem estragar o entretenimento alheio. Porém, dá para escrever o seguinte: acabar um filme, no qual a sequência da solução para o problema inicial é a mais aguardada, do jeito que o diretor acabou é uma afronta à inteligência da plateia.

Sebastián Borensztein colocou tudo a perder. E o seu Um conto chinês acabou se tornando mais um filme aí... Mediano, como tantos outros aí...