quarta-feira, dezembro 28, 2011

#86 - Pra frente, Brasil, de Roberto Farias

Produzido em 1982 e lançado somente no ano seguinte, Pra frente, Brasil é um filme corajoso. Venceu não somente alguns festivais, como também a censura. Apesar da época ser a da redemocratização e da abertura política, tocar em feridas do regime militar ainda era algo mal visto. Os censores ficaram de olho no filme, e implicaram com muita coisa. Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores, era então presidente da Embrafilme. Teve que abandonar o cargo por ter aprovado verba para a produção de Roberto Farias.

O roteiro é ambientado na década de 70, quando a seleção brasileira de futebol brilhava com o tricampeonato mundial. Uma época em que o esporte era utilizado para anestesiar as massas e mante-las sob controle, incitando uma espécie de nacionalismo que servia para fundamentar campanhas políticas em prol do governo. No aeroporto do Rio, Jofre, um trabalhador de classe média, inadvertidamente divide um táxi com um militante de esquerda. Logo, é detido e considerado um subversivo, sendo submetido a sessões de tortura. Sua família, sem notícias de seu paradeiro, busca desesperadamente por notícias.

Dizem por aí que o argumento de Pra frente, Brasil surgiu de uma experiência verídica acontecida com Reginaldo Faria, que interpreta Jofre. Ele teria sido levado a uma sala escura do aeroporto depois de dizer a uma mulher na fila de embarque que estava portando uma arma. Brincadeira sem graça, convenhamos.

Há quem diga que o filme inocenta a direita, uma vez que os torturadores, no filme, são apoiados por empresários e não pelo governo. Há quem também o compare ao clássico Desaparecido, de Costa-Gavras. E há o próprio Roberto Farias rejeitando a comparação, por achar que Gavras era um esquerdista de boutique. Enfim, é uma confusão de lateralidades interminável. Fato é que o filme aborda uma época importante e recente do Brasil. Para as novas gerações, deveria ser obrigatória a exibição em salas de aula - nossa, soei como um ditador agora, hein?

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