terça-feira, dezembro 27, 2011

#83 - Minhas tardes com Margueritte (La tête en friche), de Jean Becker

Gérard Depardieu é um canastrão. Simpático, mas ainda assim um canastrão. Aqui, ele estrela mais um filme regular. A sorte dele é dividir o set com a excelente atriz Gisèle Casadesus, que interpreta a tal Margueritte do título. O roteiro é bem Sessão da Tarde, despretensioso até o talo. Tão despretensioso que não decola.

Conta a história de um sujeito bronco (Depardieu, obviamente) que um dia encontra uma moça solitária num parque. Desgostoso da vida, ele acaba estabelecendo uma relação com a senhorinha. Passa, por exemplo, a cultivar o hábito da leitura, deixando seus colegas igualmente broncos atônitos. Aí, é aquilo: o final é tristonho, mas cheio de ternura. Tem uma liçãozinha aqui, outra acolá. É, no fundo, mais um filme sobre uma amizade improvável que cresce à medida em que os dois lados percebem como fazem bem um ao outro. Uma história que, com certeza, você já viu por aí.

A diferença é que a produção é bem cuidada.  Minhas tardes com Margueritte tem diálogos cuidadosos, direção criteriosa e, como já escrevi aí em cima, um banho de interpretação, uma aula de atuação, da simpática Gisèle Casadesus. Diria que o filme vale por ela.

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