sábado, dezembro 10, 2011

#72 - Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), de Woody Allen

Quando realiza filmes despretensiosos, Woody Allen pode ser encantador. Porém, há, sim, uma aura de prepotência em outras produções dele, que acabam afastando uma boa parte do público. Independentemente disso, Allen é um diretor de mão cheia, profícuo e competente - goste você, ou não, de seus filmes. Meia-noite em Paris é um meio termo: trata-se de um filme despretensioso demais, mas com uma enxurrada de referências que só aqueles mais chegados à vida cultural vão reconhecer. E aqui, permitam-me dizer, sem pedantismo, de coração: azar de quem não é chegado...

O roteiro de Meia-noite em Paris é delicioso! Conta a história de um aspirante a escritor que, numa viagem a Paris com a noiva, acaba passando por situações que envolvem seus ídolos - tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na música e no cinema. Meia-noite, em uma rua deserta da cidade, um carro antigo lhe dá uma carona diretamente à década de 1920, na efervescente cena cultural parisiense. Lá, encontra Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Cole Porter, Buñuel e uma série de outros mestres. Além disso, acaba se envolvendo com uma jovem que frequenta a casa de Gertrude Stein.

A caracterização dos atores é fenomenal. Owen Wilson, o protagonista, convence o espectador pela primeira vez em sua carreira. A direção de arte é caprichosa e mostra uma Paris ainda mais encantadora do que já é. Impossível não ficar pensando o que eu faria se encontrasse todos aqueles autores, cineastas, pintores, músicos. Gente que eu julgo conheçar tamanha a identificação com suas obras.

No fim das contas, Meia-noite em Paris é cinema despretensiosamente pedante - o que é um baita elogio! Um dos filmes mais deliciosos do ano.

4 comentários:

renatocinema disse...

Sua definição sobre o diretor foi, a meu ver, perfeita.

Digo o mesmo sobre sua ideia do roteiro: "O roteiro de Meia-noite em Paris é delicioso!"

Texto magistral.

Ana Néca disse...

Agora imagina eu que tinha voltado fazia 2 semanas de Paris quando assisti a esse filme... E tinha andado loucamente durante as madrugadas por Montmartre, Quartier Latin, Saint Germain de Près e convivido com toda a fauna da Rive Gauche.

Passei MAL MAL MAL. :)

O filme é exatamente isso que vc disse. E Paris: encantadora, culta e, pra quem sabe ver, deliciosamente despretensiosa.

Monica disse...

Isso! Saí feliz e leve do cinema. Deliciosa fantasia.

Isabela disse...

Leio seu texto e posso dizer que não há erros. Meia-Noite em Paris é um deleite para os olhos, de fato, tanto esteticamente quanto nos diálogos. A imaginação também fica aguçada - como você mesmo disse, é impossível não pensar o que faríamos ao viver no banquete parisiense de Ernest Hemingway.
Despretensioso pedante. Fantasia de carnaval que se usa por alguns segundos.