domingo, novembro 27, 2011

#69 - Scenes from the suburbs, de Spike Jonze

Sempre me referi ao Arcade Fire como uma banda diferenciada. Em plena era do CD, mais do que gravar discos, o grupo canadense cria álbuns à moda antiga. As músicas têm coesão narrativa, encadeamento lírico e conceito estético. Foi assim com o belíssimo Funeral, seguido do fantástico Neon bible e agora com o premiado The suburbs. A ideia de filmar um curta-metragem com o diretor Spike Jonze caiu como uma luva na trajetória da banda.

Podia ser só mais um videoclipe, mas quando se tem um álbum, e quando há um argumento por ali, que serviu como guia na hora das composições, um curta-metragem parece mesmo uma ideia bem mais enriquecedora. No caso, Scenes from the suburbs agrega valor ao trabalho do Arcade Fire, amplificando a beleza de The suburbs como expressão artística.

O roteiro, escrito a três mãos (Jonze e os irmãos Will e Win Butler, ambos integrantes do Arcade Fire), conta a história de um grupo de adolescentes que vive num subúrbio sitiado por um conflito que envolve as forças armadas - apesar de não explicar os motivos da tal guerra. Todos aprendem, forçosamente, a conviver com aviões, tanques e soldados. O foco, no entanto, está na amizade entre dois desses jovens, que atravessam a fase mais complicada de suas vidas em meio a assustada e desconfiada sociedade estadunidense. E esse é o argumento do curta: como o medo e a paranóia imobilizaram a classe média dos Estados Unidos. Apesar da banda ser canadense, o argumento parte da paranoia pós-Guerra do Golfo, que gerou o medo do terrorismo e a legitimação da violência e da barbárie como método eficaz de defesa.

Um belo curta, com fotografia incrível, atuações comoventes (apesar da inexperiência do elenco) e música - obviamente - sob medida. Scenes from the suburbs, inclusive, é capaz de mudar a percepção que os ouvintes e espectadores mais atentos têm do álbum.

4 comentários:

renatocinema disse...

Vou dar uma olhadinha. Seu texto me instigou a ver o trabalho.

Kamila disse...

Não conheço o Arcade Fire, mas seu texto - e, claro, a direção do Spike Jonze - me deixam curiosa para dar uma espiada nessa obra.

Beijos!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

O blog tá ótimo. Parabéns.
Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

Butterfly disse...

Gosto bastante da banda. Suas linhas convidam para mais atenção ao trabalho.

Aliás, ótimo texto!