sábado, novembro 19, 2011

#66 - Catfish, de Henry Joost e Ariel Schulman




Tudo começou quando três amigos resolveram ir a fundo numa história bastante contemporânea, que diz muito sobre a forma como as pessoas tendem a se comportar diante da internet, por detrás dos cabos de fibra óptica.

Yaniv, um fotógrafo nova-iorquino, troca mensagens com uma garota de 12 anos que faz pinturas inspiradas em suas fotografias. Seu irmão, Ariel, e um terceiro amigo, Henry, começam a filmar a relação virtual dos dois. Logo, Yaniv se vê envolvido com a família inteira da menina (principalmente com a bela e sensual irmã mais velha dela), que parece ter sua arte reconhecida na cidade onde mora. Quando os três decidem ir mais a fundo na história, acabam confrontando os fatos e começam a desconfiar de que as coisas podem não ser o que parecem. Partem, então, em busca de resposta.

O que parecia ser apenas um documentário sobre relacionamentos virtuais se torna um angustiante e perturbador retrato sobre a condição humana. É difícil falar mais de Catfish sem estragar o entretenimento alheio. Por isso, paro por aqui.

A quem gosta de documentários surpreendentes, esse é uma excelente pedida.

3 comentários:

Luiz Mendes Junior disse...

Atenção: O seguinte comentário contém spoilers.

Vi esse filme há uns meses. Os realizadores insistem em alegar que, inicialmente, faziam só um documentário sobre uma relação de amizade pela web que descambou na instigante história do longa, mas não creio que isso seja verdade. É apenas um instrumento a mais para vender o produto, e também parte do próprio produto, uma vez que a ficção do filme transcende a fonteira entre a tela e o espectador, e se estende a outras mídias. Seus personagens têm papéis no mundo real; a modelo cuja foto foi usada para criar o perfil falso da mãe da menina, e que ficará famosa e requisitada com a divulgação de sua imagem via filme; a artista que faz os quadros da personagem na vida real, e que muito provavelmente não corresponde à pessoa da atriz que interpretou seu alter ego fictício. É um casamento de mídias que torna toda a imersão na ficção do filme mais interessante, e também viável num país onde, muitas vezes, para se vender um romance interessante, você tem que chamar de biografia. A própria interpretação de alguns dos atores muito bem feita, muito natural, mas tudo dá muito certo para as câmeras. Pessoas como a "protagonista" do filme jamais admitiriam a vergonha de ter a própria vida exposta do modo que vemos no longa. Lembremos que ela foi pega de surpresa, e a reação mais natural, uma vez diante de uma câmera, seria de fugir dos holofotes. Não sei até onde é realmente necessário aos realizadores permanecer defendendo a idéia do documentário. O filme é uma excelente obra de ficção e um ícone dessa fase que atravessamos onde a ficção pode ir tão além do tal "universo diegético", já que esse universo se estende até nós via internet e outros meios. E os personagens falam conosco, brincam com nossa passividade, nossa dúvida, surpresa e fragilidade a la Borat, e viramos o espetáculo deles, a diversão deles. Quantos de nós não riram e acreditaram que a tal pegadinha com a Pâmela Anderson era real? Oh, oh! Então o bobo não era ela? Who cares?

Tá, tudo bem! Talvez os dois diretores precisem defender a idéia do documentário, e isso porque, dentro dessa ótica, eles também são parte da ficção, são os dois personagens diretores do filme que fizeram o filme na realidade, mas fizeram o outro filme na ficção, e precisam defender esse outro filme na realidade ou toda o clima da ficção se perde. Ou seja, o making off, como parte do produto, vira uma extensão do filme e eles precisam vestir o personagem 24 horas. Deve ser meio chato para os caras não poder dizer: "Ei, gente, é ficção tá! Mas a gente não vai ficar falando muito a respeito pq senão perde a graça!" Daqui a uns anos talvez todo mundo desencane, sei lá, ou alguém dê com a língua nos dentes como a Pâmela fez.

Kamila disse...

Adoro documentários e fiquei curiosa sobre este filme, especialmente após seu último comentário sobre a obra.

Beijos!

Rafael Carvalho disse...

Todo mundo fala muito bem desse documentário. Espero vê-lo logo!