sábado, novembro 19, 2011

#65 - Biutiful, de Alejandro González Iñárritu




Barcelona é uma cidade apaixonante. No entanto, não foge à regra das grandes metrópoles mundiais. Há um lado miserável e hostil, agravado pela crise que assola e desequilibra a harmonia da União Europeia, que só é visível a quem tem apura o olhar. O cinema é capaz de fazer isso. E Iñarritu, capaz de contar uma história realmente angustiante.

Javier Bardem, que mostra mais uma vez ser um ator realmente brilhante, protagoniza a história de Uxbal, um sujeito que ganha a vida agenciando imigrantes ilegais. Além disso, tem o dom de se comunicar com os mortos. Sem medir esforços para cuidar dos dois filhos, mesmo doente, luta pela sobrevivência em uma cidade de aura pesada.

A fotografia escurecida, os planos abertos de Barcelona ao cair do sol e os personagens que perambulam pela narrativa dão um tom fúnebre e angustiante ao filme. Biutiful mostra o lado feio da vida em uma das cidades mais charmosas do mundo. Como em todos os filmes de Iñarritu, as coisas não dão certo aos protagonistas.

Biutiful é uma experiência que tira o espectador da zona de conforto. É desolador, mas consegue extrair beleza estética da melancolia.

3 comentários:

Kamila disse...

Realmente, a experiência de se assistir a este filme é muito desconfortante, mas adorei "Biutiful". Especialmente, a performance de Javier Bardem. Ele retrata com perfeição o conflito maior de seu personagem.

Beijos!

Fabrício Augusto Souza Gomes disse...

Excelente filme, superou minhas expectativas. E mostra um olhar diferente sobre Barcelona: não a Barcelona glamourizada, mas a Barcelona decadente. Me lembrei dos livros de Pedro Juan Gutierrez, sobre La Havana Vieja (comparando, nas devidas proporções, claro). A cena dos asiáticos mortos, é impactante. Parabéns pelo texto.

Rafael Carvalho disse...

Sim, acho que a atmosfera de amgústia e dor pesa sobre os personagens. Mas meu problema com o filme é que Iñárritu incha a história com uma série de vieses (doença incurável, mediunidade, exploração dos imigrantes, problemas com a ex-mulher, filhos pra criar, relação mal resolvida com o pai) que nunca parecem desenvolvidos satisfatoriamente. O filme tenta soar triste, doído, só jogando essas problemas na tela sem saber muito o que fazer com isso tudo. Mas é impossível não adorar a interpretação do Bardem, o cara pe fodaço!