sexta-feira, novembro 18, 2011

#64 - Bibliothèque Pascal, de Szabolcs Hajdu




Taí um típico exemplo de filme que, infelizxmente, passa despercebido. Vem da Hungria, país com pouca visibilidade cinematográfica (o único nome que me vem à memória enquanto escrevo essa resenha é o do diretor Bela Tarr), (ah, sim, o Béla Lugosi também era húngaro) uma história que mistura magistralmente a tradição da oralidade cigana com a ousadia surrealista. Bibliothèque Pascal é uma viagem, em todas as acepções da palavra.

O roteiro conta a história de Mona, uma artista de rua que precisa provar a um assistente social que tem condições de cuidar da sua filha, sob custódia do conselho tutelar. A história que ela conta beira o inverossímil, com passagens repletas de mistério e fantasia. No fundo, Mona tenta desesperadamente retomar o sentido da própria vida.

Bibliothèque Pascal é uma espécie de Amélie Poulain cigana. Ambos os filmes têm o mesmo vigor lírico e a mesma vitalidade estética. Direção de arte, fotografia e cenografia saltam aos olhos, sem deixar de lado a dramaticidade e o peso do argumento - afinal, trata-se da luta de uma mãe pela guarda da filha.
Aproveitando os nomes dos dois representantes do cinema húngaro dos quais lembrei no primeiro parágrafo, Bibliothèque Pascal é um "belo" filme.

Um comentário:

Monica disse...

Esse foi o filme que eu e Diogo mais gostamos no Festival. Estava com saudade da originalidade. Tem realmente uma pegada do Jean-Pierre Jeunet.