segunda-feira, outubro 17, 2011

#53 - O justiceiro no quarto 164 (El sicario: room 164), de Gianfranco Rosi





A mecânica pode soar monótona para a maioria: entocado em um quarto de hotel, com o rosto coberto por um pano preto, um sujeito conta a sua história usando apenas um caderno de folhas brancas e uma caneta esferográfica. O justiceiro no quarto 164 apresenta 80 minutos de uma reveladora entrevista com um sicário, matador profissional que trabalhava para os narcotraficantes mexicanos.

Baseado em um artigo escrito pelo jornalista Charles Bowden, que retratou com o apoio da figura do sicário uma das cidades mais violenta do mundo, Juarez, o diretor Gianfranco Rosi apresenta a ordem cronológica dos fatos: do poder de sedução do mundo do crime, passando por descrições minuciosas e perturbadoras de sessões de tortura, até um ponto de saturação onde a porta de saída também é uma sentença de morte. A cabeça do justiceiro em questão, que aceitou conceder entrevista e se diz afastado de atividades criminosas, vale US$ 250 mil.

O mais interessante é que, mesmo com papel e caneta para contar a história, o documentário tem a estrutura clássica de um filme de ação. Tem início, meio e fim bem delimitados, com direito a clímax. O desenho que demonstra a diferença entre um sicário e um assassino qualquer é perfeito.

A surpresa fica mesmo nos minutos finais. O desfecho é particularmente mórbido, talvez até mesmo inesperado. No entanto, sublinha a força arrebatadora do poder paralelo em regiões onde a miséria é imperativa.

Vale por um Documento Especial - aquele programa antigo que passava na TV Manchete.

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