sexta-feira, outubro 14, 2011

#51 - Miss Bala, de Gerardo Naranjo




Um roteiro que fala sobre narcoterroristas que atuam na fronteira do México com os Estados Unidos tem tudo para se render à fórmula pasteurizada com a qual o tema é tratado por Hollywood. Sorte do público que Miss Bala é uma produção mexicana. Dessa forma, fica livre, pelo menos, dos estereótipos criados pelos filmes estadunidenses, que sempre tratam os mexicanos como baratas imundas que infestam seus jardins.

A Miss Bala do título é Laura Guerrero, uma humilde comerciante de Tijuana que sonha ser eleita Miss Baixa Califórnia. No entanto, uma noite, ela testemunha um massacre numa boate. Acaba se envolvendo, inadvertidamente, com uma quadrilha que lhe promete ajuda para encontrar uma amiga, perdida em meio ao tiroteio.

O roteiro de Miss Bala é o grande trunfo: enxuto, cru e pesado. Apesar de ser um filme de ação, não há trilha sonora, explosões mirabolantes, barulhos de socos espocando, câmera lenta ou qualquer outro artifício romanesco comumente utilizado. O som ambiente é usado de forma bastante interessante, de modo a suprir a ausência dos clichês na condução da tensão.

A direção de atores também faz um bom trabalho. Stephanie Sigman está irrepreensível no papel da protagonista, irritantemente lacônica e frágil. Os terroristas têm cara de terroristas mesmo, mas pouco abrem a boca para declamar frases de efeito.

Miss Bala é zero clichê.

Um comentário:

viagra disse...

É isto mesmo, gostei demais adorei.