terça-feira, setembro 27, 2011

#46 - Afterschool, de Antonio Campos


A facilidade em fazer pequenos vídeos com dispositivos digitais, somada à internet em banda larga, cunhou uma nova forma de expressão. Afinal, até pouco tempo, os números eram impressionantes: mais de 80% do conteúdo virtual é vídeo, e não texto. Afterschool, uma produção pra lá de independente, explora de maneira bastante interessante essa nova relação do sujeito com o vídeo. Porém, o filme não é bom. Não que seja ruim - longe disso. Estranho, né?

A história se passa em um colégio interno estadunidense, cheio de si mesmo, com códigos de honra e alunos promissores. O protagonista é Rob, um jovem de 17 anos que passa muito tempo na internet vendo pequenos vídeos - de pornografia a brigas entre colegas. Até que um dia, acidentalmente, filma a morte de duas colegas, irmãs gêmeas, as mais bonitas e populares da escola. Está dado o ensejo para um ensaio sobre a relação entre real e virtual, o computador como suporte e o papel do indivíduo nisso tudo.

Emulando os vídeos caseiros publicados na internet, Afterschool tem enquadramentos estranhos, distâncias focais mal calculadas e áudios desnivelados. Apesar da proposta ser bastante interessante, e de certa forma colocar em xeque o ajuizamento de valor que a sociedade faz da documentação visual da vida, tautológica até mesmo no campo do entretenimento, o roteiro não se sustenta. Muitas vezes, se arrasta. Ou seja, podia ser um pouco melhor.

Há um punhado de cenas fortes e sequências perturbadoras. Pontos positivos. A morbidez do voyeurismo fetichista também está lá. Ponto positivo também. Pela linguagem, é uma experiência válida. Difícil, mas válida para quem se interessa, justamente, por essa nova linguagem audiovisual.

Interessante: o jovem diretor, autor e editor do filme, Antonio Campos, é filho do jornalista Lucas Mendes. O rapaz é metade italiano, metade brasileiro, apesar de ter nascido em Nova York.

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