sexta-feira, setembro 09, 2011

#37 - Riscado, de Gustavo Pizzi


Hoje é dia de estreias. Então, segue a resenha que escrevi para o Jornal do Brasil sobre o filme Riscado - produção nacional, independente, que trata da profissão audiovisual. Quem trabalha com isso, vai se identificar bastante.

Pode-se dizer que Riscado é uma espécie de metafilme. Nele, uma atriz interpreta uma atriz cercada de todas as incertezas e desconfianças comuns ao ofício da interpretação. O filme, que foi feito à base de muito esforço, é o retrato fiel do que é o fazer cinematográfico independente.

O roteiro acompanha a história de Bianca (Karine Teles, em atuação bastante convincente), uma jovem que empresta seu talento a telegramas animados e panfletagem nas ruas do Rio. Até o dia em que é selecionada para participar de uma produção internacional. Impressionado com o teste dela, o diretor do filme passa a apostar todas as fichas na história real de Bianca, adaptando todo o roteiro aos seus próprios percalços.

Ao longo da projeção, pipocam algumas situações que são típicas do métier artístico, numa hermeticidade que pode comprometer o bom humor diferenciado que o diretor Gustavo Pizzi propõe em diálogos pontuais. Há também um certo exagero nas rubricas naturalistas dos personagens, que agem como se a metalinguagem fosse um imperativo categórico ao filme.

No entanto, Riscado está bem acima da média das produções nacionais independentes. Tem um capricho estético notável, além de uma direção de atores eficiente e uma trilha sonora bem bacana - não à toa premiada em Gramado.

2 comentários:

Kamila disse...

Só tenho lido boas opiniões sobre este filme, especialmente sobre a atuação da Karine Teles. A conferir.

Beijos!

Rafael Carvalho disse...

Que coincidência da zorra, Dudu. Acabei de postar texto sobre esse filme lá no meu blog. Também gostei, principalmente por ser um filme independente brasileiro sem apelar para recursos estéticos "moderninhos". Sua maior força é a história que está contando, o que nos faz acreditar muito nela, e nos afeiçoar com essa personagem errante. Uma bela surpresa.