quarta-feira, agosto 31, 2011

#33 - Lola, de Brillante Mendoza


Muito tem se falado do diretor filipino Brillante Mendoza. Inclusive, já reproduziram à exaustão um trocadilho quase inevitável que transforma seu primeiro nome em adjetivo. Fato é que o sujeito, até então um realizador publicitário, começa a ganhar destaque mundo afora. Seu sucesso, em grande parte, se deve a uma espécie de "desconhecimento" do que é exibido fora do circuito hollywoodiano. Disse Mendoza em uma entrevista, do alto de sua humildade, que somente agora, anos depois de assumir o ofício da direção, começa a se interessar por correntes cinematográficas de outros países, como o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa. E isso parece fazer a diferença em seus filmes.

Mendoza levou a festivais ao redor do mundo seu olhar crítico sobre o país em que nasceu. Em seus filmes, as Filipinas são capturadas sob lentes naturalistas. Seus personagens, que experimentam o esmagador peso da desigualdade social, são como habitantes reais de um país que serve de cenário. Lola, sua mais nova produção, coloca em destaque duas idosas que tomam a frente do sustento financeiro e moral de suas respectivas famílias - tarefa nada fácil.

A primeira cena já demonstra o quão penoso o desenrolar da trama vai ser. Em meio a uma tempestade de verão, debaixo de muita água e muito vento, uma das senhoras de idade (ou simplesmente lola, como são chamadas as vovós filipinas) tenta acender uma vela em memória do neto, vítima de latrocínio. Os movimentos seguintes dão conta dos preparativos para o funeral. Paralelamente, a outra lola busca a libertação do neto, suspeito de ter cometido o crime. Ambas caminham por uma Manila maltratada, onde assaltantes, golpistas e funcionários burocráticos dificultam os caminhos.

A fotografia é bem cuidada, os atores têm liberdade para lidar com a inexperiência cênica e o áudio ambiente, principalmente o da chuva, é tão importante quanto os diálogos. Chove o tempo inteiro. É preciso buscar abrigo a todo instante. A sequência final, que promove o encontro, cara a cara, das duas matriarcas, é singularmente comovente. Resume com contundência tudo o que foi mostrado em quase duas horas de projeção.

5 comentários:

renatocinema disse...

Se a obra leva a comoção....devo assistir.

Adoro filmes comoventes e com boa fotografia.

Abraços

Kamila disse...

Fiquei curiosa em relação a esse filme, do qual ainda não tinha ouvido falar.

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Renato, é aquela comoção oriental. Muito boa, sem excessos.

Kamila, vale o confere, mas não sei se o filme vai ganhar circuitão. É para um público bem restrito, infelizmente. Mas a dica: tem pra baixar! rs...

Bjs e abs!

Rafael Carvalho disse...

Gosto muito dos filmes do Mendonza que vi antes (Serviço, Execução) e desse Lola, talvez o melhor dos três pra mim. O cara filma sem concessões através de uma narrativa bem crua. Mas o mais interessante para mim nesse filme é que o foco da narrativa é o calvário das duas senhoras, e não a história do asassinato. Parece um tour de força que elas têm de suportar para sustentar sua dignidade em meio à barbárie em que estão envolvidas, além de ser uma luta pela sobrevivência de cada dia. Filmaço, um dos melhores do ano com certeza.

Opium Visionary disse...

Filmaço, obrigado pela recomendação.
Acabei de postar no meu blog, quem quiser baixar o filme é só acessar:

http://opiumvisionary.tumblr.com/post/10198797726