domingo, maio 08, 2011

#29 - Cópia fiel (Copie conforme), de Abbas Kiarostami


Durante muito tempo, o cinema iraniano ficou restrito a um circuito hermético, no qual quem estava dentro era logo estereotipado pejorativamente como pseudo-intelectual. Os filmes quase sempre eram excessivamente silenciosos, emotivos e lentos. Excessivamente bonitos, também. Um dos maiores diretores daquele país, que contribuiu em muito para solidificar o cinema iraniano como uma corrente provida de substância própria, é Abbas Kiarostami. E aqui ele retorna com uma produção universal, global (no bom sentido), internacional.

Cópia fiel
é uma produção rodada na Itália, com um ator inglês, uma triz francesa, de um diretor iraniano e que trata de uma questão comum a todos os quatro hemisférios do planeta. O roteiro conta a história de um escritor que vai lançar seu livro sobre crítica de arte na Toscana. Lá, encontra uma mulher com quem tem um envolvimento.

E aí vem o bacana do filme. Contrariando a máxima iraniana, Kiarostami constrói uma narrativa que se debruça sobre os diálogos. Cópia fiel é verborrágico, e é preciso prestar bastante atenção no que dizem, em três idiomas diferentes, seus personagens. Aos poucos, de forma brilhante, a história entre o casal vai sendo desvelada. Arte e vida se misturam em diálogos fantásticos.

O casal é protagonizado por William Shimell, um dos barítonos mais respeitados da Inglaterra, e pela sempre belíssima e competente Juliette Binoche, que esbanja uma sensualidade sem antecedentes para os padrões pré-estabelecidos pela indústria cultural. É uma delícia ver o jogo cênico entre os dois.

Filmaço!

3 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Kiarostami acaba por fazer um movimento de renovação muito interessante dentro do cinema iraniano que se inicialmente está muito ligado à tradição do neorrealismo italiano, encontra no diretor quem parece dar direções outras para sua arte. Para mim, Cópia Fiel é o melhor filme do ano até então, difícil de ser batido, e uma grande deliciosa discussão sobre o valor da arte, a força da encenação, os limites do real e do imaginário, as possibildades do amor. Binoche, como as melhores atrizes sabem ser, tem domínio de sua personagem enquanto personifica com muita naturalidade história e texto tão complexos. Filmaço mesmo!

Maria disse...

perdi no cinema. por preguiça. que vergonha =/

Pedro Henrique Gomes disse...

Um dos melhores do ano, não é mesmo Dudu? Habemus, Kiarostami!