quinta-feira, março 24, 2011

#16 - A origem (Inception), de Christopher Nolan


Há certos filmes de ficção científica que ousam tanto, mas tanto, que acabam deixando o espectador mais confuso do que realmente admirado. Com A origem, dirigido e escrito por Christopher Nolan, acontece exatamente isso. A quantidade de informação e detalhes são tão grandes, que de vez em quando fica chato ter que montar o quebra-cabeças que o roteiro propõe.

Acompanhamos a história de um grupo de especialistas em entrar nos sonhos das pessoas para acessar dados sigilosos, que normalmente ficam trancafiados no inconsciente. Capitaneados por Leo DiCaprio, os tais "ladrões de sonhos" aceitam um trabalho bastante arriscado quando um inescrupuloso empresário japonês os desafia a colocar uma memória falsa na mente de um jovem prestes a herdar uma fortuna do pai enfermo. Isso é o que eles chamam de inception - ou, em bom português, inserção.

Sem pedir licença, faço o trocadilho: Inception é insípido. Tem lá seus efeitos especiais, que não enchem tanto os olhos. Tem lá suas questões existenciais, que não são tão (nossa, três ãos seguidos) aprofundadas. Tem lá sua historieta romântica, que não é tão bem explorada como deveria. Tem lá sua fotografia que estranhamente levou um prêmio. E tem esse roteiro confuso, doido, que exige demais da paciência - e não da inteligência - do espectador ao longo das quase duas horas e meia de duração.

Tão confuso é esse roteiro, que na internet há foruns destinados a tentar compreender várias cenas do filme. Inclusive, uma delas é realmente intrigante (tenho mesmo que avisar que tem spoiler?): se a aeromoça da companhia aérea, comprada pelo japonês, sabia de tudo o que estava acontecendo, e se todos ali são comparsas, menos a vítima, por que DiCaprio disfarça quando vai colocar o sonífero na bebida? As respostas são as mais esdrúxulas. Aliás, a maioria das respostas para todas as questões que suscitam dúvidas tem mais de uma interpretação, característica que vai contra a cartilha da indústria hollywoodiana - da qual faz parte a produção de Nolan.

Podem comparar com Matrix. Faz sentido. Duas boas ideias desperdiçadas. Um é tão sem-graça quanto o outro.

6 comentários:

Kamila disse...

Não achei o filme tão sem graça assim, mas concordo que o quebra cabeça é um tanto simples, mas que se torna complexo por causa da forma como o Nolan apresentou sua história. Eu, particularmente, achei o filme genial!!

renatocinema disse...

Como vivemos num país de livre opinião, pelo menos teoricamente (kk), discordo.

Apesar de achar que não é tudo aquilo que alguns dizem, gostei muito do filme de Nolan.

Acho meio insano, doido. Mas, em minha opinião esse, as vezes, é o charme do cinema.

abraços

Duellio disse...

tb gostei... apesar da confusão mental que proporciona, não achei fraco...

Anônimo disse...

Esse filme, pra mim, é o dono do Oscar de melhor filme 2011. Uma das mais fantásticas montagens do cinema. Confuso? eu diria desafiador. Para quem não gosta de pensar na frente da TV indico Malhação.

Cleidson Lourenço disse...

É um filme que tenta organizar o mundo dos sonhos, e depois frente à incompetência de orquestrar toda a informação, no estilo engenheiro Nolan, acaba usando a irregularidade ininteligível das narrativas do sonho que antes havia tentado explicar. O único que merecia o Oscar de direção e melhor filme foi o Cisne Negro, que não desabou frente à sua complicada premissa, a do Discurso do Rei era simples demais pra errar.

Anônimo disse...

qdo li o primeiro paragrafo dessa resenha eu pensei: que cara chato!