sexta-feira, março 18, 2011

#15 - Não me abandone jamais (Never let me go), de Mark Romanek


Outra estreia de hoje, mas essa vale muito a pena! O filme é uma adaptação de um livro japonês, cuja história é bastante interessante. E perturbadora també. Segue o que eu escrevi sobre o filme no Jornal do Brasil.

O fio condutor de Não me abandone jamais é um triângulo amoroso entre três jovens que se conhecem desde a infância, alunos de um bucólico e aparentemente tranquilo internato no interior da Inglaterra. Porém, o argumento que dá corpo ao filme do diretor Mark Romanek, baseado no livro do escritor japonês Kazuo Ishiguro, consegue ir um pouco mais além: mistura drama, romance, suspense e até ficção científica de forma arrebatadora.

O roteiro tem início na década de 50, quando o espectador é informado sobre o aumento na expectativa de vida dos seres humanos graças aos avanços das pesquisas sobre transplantes de órgãos. Então, o que no livro de Ishiguro só é revelado nos últimos capítulos, vêm à tona nos primeiros 20 minutos de projeção: as crianças do tal internato são especiais. Aos poucos, o tal eufemismo vai dando lugar a uma história incrivelmente densa e bastante perturbadora, capaz de deixar a plateia boquiaberta.

A direção de Romanek tem lá seus vícios estilísticos. Abusa de certos clichês, como longos closes em objetos inanimados, música tristonha e uma narração em off que explica demais o argumento - recurso que, em parte, até se faz necessário para dar conta da profundidade do livro. A belíssima fotografia e o figurino caprichado ajudam a dar um tom de pesar ao filme. A atuação do trio principal é irretocável. Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley se doam integralmente aos seus personagens. Forte e pungente, Não me abandone jamais é uma história de amor que esconde uma discussão existencialista pertinente, colocando em xeque conceitos éticos e morais.

3 comentários:

Kamila disse...

"Não Me Abandone Jamais" tem todos os elementos para eu gostar em um filme. Acho a história promissora, o diretor e o elenco bons, mas me preocupo com a série de críticas negativas obtidas pela obra.

Butterfly disse...

Fiquei interessada assim que ouvi a respeito. Após ler esta crítica com certeza vou conferir.

The tone disse...

Li o romance e assisti ao filme. Ambos são sensíveis ao tema. O filme é um recorte meio em mosaico do filme, muitas coisas parecem meio sem explicação porque dependem de detalhes que só quem leu entende bem. Mas ele não deixa a desejar em qualidade, principalmente na hora de demonstrar os sentimentos. Só uma dica, o Kazuo nasceu no Japão mas no começo da infância mudou-se para Inglaterra e lá foi criado e educado. O original é em inglês não japonês e ele já ganhou prêmios ingleses.