sexta-feira, março 11, 2011

#13 - Doce vingança (I spit on your grave), de Steven R. Monroe


Estreia hoje o remake de um clássico do exploitation. O título, que era o bacana do original, em português mais parece que se trata de uma comédia romântica: I spit on your grave (que tinha outros títulos alternativos como I hate your guts) aqui virou Doce vingança. A refilmagemn dá conta da atmosfera sombria e brutal do original, apesar de não ser, na sua essência, um exploitation. Veja o que escrevi sobre o dito cujo no Jornal do Brasil.

Em 1978, I spit on your grave, um dos vários subtítulos para o filme Day of the woman – que por aqui ficou conhecido como A vingança de Jennifer – chegava aos cinemas provocando estardalhaço. A produção de Meir Zarchi, que continha uma longa e perturbadora sequência de humilhação e violência sexual, foi banida de diversos países e logo se tornou um clássico do exploitation. Mais de 30 anos depois, o filme ganha um remake, Doce Vingança. Agora, com orçamento generoso para gastar em sangue e incrementar as cenas de tortura.

O argumento é o mesmo: uma bela e esbelta escritora da cidade grande, em busca de paz para terminar seu livro, aluga uma cabana isolada no meio do mato. Assediada pelos locais, acaba sendo brutalmente violentada por um grupo de cinco homens (no original, eram somente quatro). Dada como desaparecida, tempos depois ela volta para se vingar de seus algozes.

O roteiro tem lá seus erros e acertos. E tem também seus buracos, bem profundos. A produção da década de 70 não precisava se preocupar com crateras narrativas, já que era um produto típico do underground. Por isso, diálogos estapafúrdios, reviravoltas esquisitas e atuações irregulares, agora, não são perdoáveis pelo público. No entanto, a força da história original se mantém. A cena na qual a mocinha é vilipendiada ainda é capaz de gerar bastante incômodo. Já as sequências de vingança, com mortes repaginadas, ganharam requintes de extrema crueldade, pegando carona na contemporânea estética de hiperviolência que povoa os títulos do gênero.

A grande diferença entre o original e o remake é o tipo de impressão que vão deixar na plateia. Enquanto o primeiro pregou o terror moral, o segundo investiu no terror gráfico. Um criou polêmica para entrar para a História do cinema underground. O outro vai criar polêmica para uma discussão em mesa de bar. Porém, ainda assim, tirando proveito da aura do original, Doce Vingança é uma interessante experiência cinematográfica para quem tem estômago.

5 comentários:

Kamila disse...

Tu adora esse tipo de filme, né??? Não é meu gênero favorito, mas eu conferiria.

Beijos!

bruno knott disse...

Desconhecia completamente o teor deste filme... devo dizer que não é o meu estilo favorito, mas fiquei interessado!

Abs.

Museu do Cinema disse...

Conhecia esse filme apenas pelo cartaz com essa bundinha xoxa.

Surfista disse...

Cara, essa onda de filmes de tortura com detalhes quase pornôs me cansa um pouco. "Jogos Mortais" é legal e tals, mas não tenho estômago para esses baldes de sangue e tripas. Daqui a pouco, vão refilmar "Cannibal Holocaust".

Leela disse...

Nossa, eu fiquei meio chocada com esse filme. É o mais violento que eu já vi na vida - e eu já vi muitos. Acho que alcançou seu propósito porque é muito desconfortável mesmo.