quinta-feira, fevereiro 17, 2011

#9 - 127 horas (127 hours), de Danny Boyle

A estreia é amanhã. A resenha é hoje mesmo. O novo filme de Danny Boyle tem deixado muita gente em frangalhos nas salas de exibição mundo afora. Na Austrália, os médicos recomendaram cautela a quem for conferir a película. Nos Estados Unidos e no Canadá, há relatos de desmaios. Um espectador chegou a ficar inconsciente por cinco horas. Dizem que houve até ataque epilético durante a projeção. O diretor se viu obrigado a pedir desculpas ao público.

Quem conhece a história verídica de Aron Ralston já está advertido de como terminou a aventura do jovem que resolveu flanar pela paisagem rochosa de um canyon em Utah. Sem avisar à família ou amigos de seu passeio, ele acaba ficando com o braço direito preso em uma rocha. As tais 127 horas seguintes são de luta não somente para tentar ganhar a liberdade, mas também para não enlouquecer diante da falta de alimento e de esperança num possível resgate.

O roteiro de 127 horas segue a fórmula do inimigo natural, onipresente, invisível. É uma espécie de provação pela qual um sujeito egocêntrico precisa passar para perceber que homem algum é uma ilha. As horas que Ralston passa isolado são quase que como uma meditação zen-budista forçada, na qual o egoísmo vai perdendo consistência aos poucos, em visões premonitórias, revisitações às memórias do passado e alucinações.

A marca do diretor está lá: a edição é bacana, a trilha sonora é ótima e a atuação de James Franco é bastante convincente. Por incrível que pareça, O mais interessante é justamente o clímax que tanto tem gerado mal-estar. Diferentemente da maioria dos filmes de catástrofes pessoais, o tom dramático é completamente quebrado pela cena forte e perturbadora sequência de "libertação", digna de Jogos mortais. Ou seja, o que pode incomodar alguns é, na verdade, uma provocação que pode ser válida para outros

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

#8 - O discurso do rei (The king's speech), de Tom Hooper


Um dos grandes favoritos ao Oscar de Melhor Filme deste ano, O discurso do rei tem tudo o que um costumeiro vencedor do tal prêmio presica ter: um total de 12 indicações, argumento baseado em uma história real, trilha sonora emocionante e um roteiro repleto de lições de vida que fogem do convencional. Mais ainda, e talvez o grande trunfo, a trama se passa no tortuoso e negro período no qual a Inglaterra declara guerra à Alemanha nazista de Hitler.

Acompanhamos, no entanto, uma outra batalha. A saber, a tentativa do monarca e imperador George VI de dar cabo a uma gagueira que o impede de fazer discursos ao seu povo via ondas de rádio. Encorajado pela mulher, a rainha Elizabeth, ele busca os serviços de um ator australiano que tem o dom da locução. Sob métodos nada convencionais, os dois começam a desenvolver uma sólida amizade, que extrapola a relação secular entre rei e súdito.

O brilhante no filme de Tom Hooper é o elenco - a maior parte indicada ao prêmio em suas respectivas categorias. Colin Firth, como protagonista, constrói um angustiado rei de forma irrepreensível. A sempre ótima Helena Bonham Carter empresta seu talento à rainha. Porém, é Geoffrey Rush quem rouba a cena no papel do extravagente fonoaudiólogo Lionel Logue.

Tecnicamente, O discurso do rei é perfeito. Porém, na parte dramática, o argumento é mais interessante do que o roteiro em si. Em todo o caso, não haverá espanto caso os indicados precisem, assim como os personagens, discursar em público durante a noite de festa da academia.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

#7 - Bravura indômita (True grit), de Joel e Ethan Coen


Estreia amanhã o novo filme dos Irmãos Coen, o remake do western Bravura indômita. O longa concorre a um monte de estatuetas douradas, incluindo filme, direção e ator - este último para Jeff Bridges, no papel que deu um Oscar a John Wayne em 1970. O filme é bacana, mas falta aquele toque coeniano. Pelo menos, o final dessa nova versão é mais sombrio e improvável.

Confira aqui o que escrevi sobre Bravura indômita lá no meu blog no portal SRZD. Clique aqui!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

#6 - Zé Colmeia - O Filme (Yogi Bear), de Eric Breving + Crônica "Nasce uma cinéfila"


Queria eu que o filme fosse melhor – e minha filha vai poder cobrar isso de mim quando for mais velha. Sábado passado levamos pela primeira vez, eu e minha mulher, a pequena, prestes a completar três anos, ao cinema. Fomos assistir a Zé Colmeia – O Filme, uma animação com personagens computadorizados misturados a atores de verdade.

Inadvertidamente, fomos ao cinema de um maldito shopping center onde uma tal casa de vidro de um certo reality show estava exposta ao público. Ou seja, foi difícil arrumar vaga e se locomover pelos abarrotados corredores, entupidos de cacatuas que, aos berros, batiam palmas e se emocionavam com sei lá o quê. Filhota perguntou:

“Papai, ali tem animais?”

Tive que responder:

“De certa forma, sim.”

Ingressos comprados, pipoca preparada, refrigerante em mãos – sim, porque tinha que ser programa completo -, entramos na sala de projeção. A cara dela era de entusiasmo. Sentou na poltrona e foi logo perguntando:

“Vai ter teatro ali?”

Expliquei que era diferente. Era cinema! E expliquei também que, se ela gostasse, seria o nosso programa especial de sempre. Eu tinha dúvidas se ela ficaria realmente quieta durante os quase 90 minutos de projeção. E, apesar do filme ser bem sem graça, com uma trama um pouco complicada para a idade dela, a pequena ficou o tempo inteiro sentadinha, comportada, vendo o Zé Colmeia e o Catatau, personagens do meu tempo.

Tem umas coisas bacanas no filme. O vilão, um prefeito maquiavélico que quer expropriar o parque para a exploração de madeiras, é bem divertido. Duas ou três boas piadas também divertem os adultos. E é só. Mas ela gostou. Prova disso foi um abraço apertado, no pai e na mãe, um com cada braço, bem no meio da sessão.

No fim, a caminho do carro, minha filha se vira para mim e diz:

“Papai, eu gostei, tá?”

“Ah, que bom! Vamos repetir muitas vezes esse programa.”

“Amanhã você me leva outra vez outro dia?”

Nascia, ali, uma pequena cinéfila. Ela.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

#5 - Cisne negro (Black swan), de Darren Aronofsky


Chega hoje às telas mais um dos candidatos ao Oscar. E este, meu amigo, é um forte concorrente em todas as cinco categorias em que foi indicado. Aronofsky caprichou em Cisne negro, que conta a história de uma bailarina perfeccionista que precisa ir ao seu limite para convencer o diretor da companhia de dança que pode interpretar o papel principal de O lago dos cisnes, Natalie Portman brilha na tela - irretocável!

Escrevi uma resenha lá no meu blog no portal SRZD. Para ler, basta clicar aqui!