quarta-feira, dezembro 29, 2010

#96 - Tetro, de Francis Ford Coppola


Não há dúvidas: Tetro é um filmaço. E olha que a sessão tinha tudo para desviar a minha atenção. É que conferi o novo trabalho do mestre Coppola na primeira sala vip da cidade, no Rio Design Barra. Até publiquei um artigo sobre a experiência no meu blog no SRZD, aqui. Poltronas reclináveis, amplo espaço, serviço de bar e conforto até demais. Um convite ao sono quando a exibição for mais ou menos. Não foi o caso.

Coppola retoma um tema familiar para contar a história de um jovem ajudante de cozinha que desembarca em Buenos Aires à procura de seu irmão mais velho, que abandonou a família e lhe deixou apenas um bilhete assegurando que voltaria para buscá-lo. O reencontro é conturbado, e a convivência entre os dois vai revelando detalhes obscuros sobre a história da família.

Tetro é uma verdadeira aula de roteiro! A maneira como Coppola costura a trama, deixando com que as feridas sejam expostas vagarosamente, é simplesmente espetacular. A assinatura do realizador se faz sentir nos detalhes técnicos e estéticos. A fotografia, em preto e branco com flashbacks em cores, salta aos olhos. O elenco é fantástico, com Vincent Gallo roubando a cena no papel do irmão mais velho que dá nome ao título do filme - e roubando também a escalação, já que o papel, inicialmente, seria de Matt Dillon, que trabalhou com Coppola em O Selvagem da motocicleta, outro filme com temática familiar.

O bom e velho Coppola. Em plena forma. Não há como desviar o olhar da tela.

2 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Gostei do filme, mas não achei assim sensacional até pelo excesso de reviravoltas e explicações. Mas é impécável o domínio cênico do cara, tudo parece estar em ordem para filmar a desordem que passa a ser a vida dos dois irmãos. A fotografia é sensacional.

Vulgo Dudu disse...

Rafael, eu adorei. Acho que as reviravoltas se encaixam bem nessa coisa de tragédia lírica em que o filme se debruça. Coppola há um bom tempo não acertava a mão desse jeito!

Abs!