segunda-feira, agosto 23, 2010

#67 - Os amantes (Les amants), de Louis Malle


Louis Malle é um diretor que costuma sempre surpreender o espectador. Até mesmo quando o tema parece esgotado ou o argumento parece batido. Filmado em 1958, Os amantes fala sobre os desdobramentos de um triângulo amoroso - do ponto de vista feminino - cujos vértices estão ligados à sociedade francesa do meio do século passado. A maestria de Malle está justamente na maneira como a história é contada, com a ousadia de um cineasta que esteve sempre um passo à frente de seus colegas de ofício.

Como muito bem observou minha cônjuge, a protagonista do filme é uma espécie de Madame Bovary moderna. Quem a interpreta, no auge da carreira, irrepreensível, é Jeanne Moreau. Casada com um empresário muito ocupado, enfastiada da vida no interior da França, ela resolve passar mais tempo em Paris, em companhia de uma amiga de infância. Lá, livre, leve e solta, acaba se envolvendo com um jogador de polo equestre. Está formado um triângulo amoroso que reserva algumas boas reviravoltas na trama.

Assim como Flaubert, Malle foi audaz ao tratar da traição feminina. Não à toa, o cineasta também foi acusado de ser um pornógrafo por muita gente, principalmente nos Estados Unidos. Os amantes chegou a receber duras críticas e teve até mesmo sua exibição dificultada. Os delicados peitinhos de Moreau, que ficam à mostra durante poucos segundos, foram o bastante para irritar conservadores de plantão. Ou seja, conservadores não entendem nada de cinema.

O filme acabou ganhando, com o tempo, a notoriedade que merecia. Tecnicamente impecável, dramaticamente contundente, é mais uma obra-prima de Louis Malle!

3 comentários:

Kamila disse...

Só assisti a uma obra do Louis Malle e adoro: "Perdas e Danos". O texto ficou excelente e me deixou com muita vontade de conferir "Os Amantes".

beijos!

Pedro Henrique disse...

Mestre! Malle é referência sempre! Os Amantes talvez seja a obra máxima dele, dos que vi até hoje! Tô pra organizar uma mostra aqui em POA sobre ele, tomara que consiga. Seria bom, pois há um grande público que ainda o desconhece.

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, vale a pena se aprofundar na obra do cara! Principalmente nos seus filmes mais antigos.

Pedro, pra mim a obra máxima dele continua sendo "Ascensor para o cadafalso". Quanto à mostra, te dou todo o apoio que precisar, apesar da distância. No que puder ajudar, tô por aqui!

Bjs e abs!