sexta-feira, agosto 13, 2010

#65 - Almas à venda (Cold souls), de Sophie Barthes


Estreia hoje no circuitão carioca, com certa demora, o novo filme de Paul Giamatti, Almas à venda. Dirigido por Sophie Barthes, o longa tem um bom argumento, mas que não é tão bem desenvolvido assim. Escrevi uma resenha para a Revista Programa, do Jornal do Brasil, que foi praticamente retalhada na hora da edição. Compartilho com vocês, donairosos leitores, a versão original da pobre coitada.

Alguns argumentos são tão criativos e bem elaborados, que seus respectivos roteiros não dão conta de sustentar um longa. É o que acontece com Almas à venda, uma comédia dramática que usa um pressuposto fantástico para falar de crises existenciais e perdas de identidade, além das neuroses contemporâneas recorrentes. Paul Giamatti, irrepreensível, interpreta um personagem homônimo - no caso, um ator com dificuldades de levar adiante os ensaios de Tio Vânia, peça de Tchékov. Ao ler um artigo sobre uma empresa que extrai almas, aliviando o sofrimento interior de seus clientes, ele resolve experimentar o tratamento. No entanto, as coisas fogem do controle quando sua alma desaparece misteriosamente.

Apesar da fotografia caprichada, da montagem eficiente e do elenco bastante afiado, Almas à venda não se mantém interessante ao longo da projeção. O problema é que a ideia central se esgota muito rapidamente, tornando o recheio do roteiro por vezes enfadonho. Assim como Descartes, citado nos créditos iniciais, tratou de localizar o lugar da alma e garantir a existência de Deus em seu esquema filosófico, sob ameaça inquisitória de ser sentenciado à fogueira, a diretora Sophie Barthes parece não querer trabalhar o absurdo a ponto de incomodar e provocar a plateia. Trabalho, por vezes ingrato, que outros diretores e roteiristas já realizaram de forma brilhante.

5 comentários:

VAI NA FE QUE DA! disse...

Muito legal o seu blog! achei interessante, post legal!
Se puder passe pelo meu blog também!
http://vainafequeda.blogspot.com/

Kamila disse...

Mesmo com as ressalvas, quero assistir! Adoro Paul Giamatti.

Beijos!

Camila disse...

A temática parece boa. Tudo que se relacione com neuroses contemporâneas me instiga um pouco. Assisti ao Quero ser Jonh Malkovich e fiquei besta! Termina no momento certo. rsrs

Maria disse...

Eu gostei. Mas também achei morno.

Vulgo Dudu disse...

Vai na fé, obrigado e volte sempre por aqui!

Kamila, o trabalho do Giamatti é bem interessante. Mas faltou ousadia à diretora. Ou talvez experiência mesmo... Confira!

Camila, pois é, um dos roteiristas que podem ser citados é o Kaufman, autor não só de Quero ser John Malkovich, mas também do clássico Brilho eterno... Entre outros... Aqui faltou justamente o mojo que ele tem.

Maria, de fato, não é um filme ruim. Mas também não rende o que podia.

Bjs e abs!