terça-feira, agosto 10, 2010

#62 - I walked with a zombie, de Jacques Tourneur


Foi lá pela década de 40 que o cinema começou a explorar de forma intensa as figuras dos zumbis. Obviamente, ainda não eram criaturas reanimadas em estado de putrefação que devoravam cérebros. Naquela época, o que assustava a plateia eram os rituais de magia negra, as práticas religiosas de tribos da América Central, os bonecos de vudu e por aí vai. I walked with a zombie é uma produção de 1943, um clássico do cinema de horror, que ilustra bem a forma como a magia e os zumbis eram caracterizados.

No fundo, trata-se de um terror romântico. O filme mostra uma enfermeira canadense que aceita um trabalho em uma ilha do Pacífico. Ela deverá tomar conta da bela esposa de um rico empresário, que se encontra em estado catatônico, sem esperanças de recobrar a consciência. Ou seja, ela vive como uma zumbi. Chegando à mansão, a protagonista começa a se envolver com o tal empresário, praticamente viúvo. Aos poucos, vai descobrindo uma trama repleta de mistérios, que envolve paixão, ganância e magia negra.

De certa forma, o roteiro é meio confuso em relação às práticas religiosas dos habitantes da ilha. Porém, há um punhado de sequências muito bem filmadas, que utilizam artifícios dramáticos eficientes para criar o clima de suspense. O destaque fica por conta da figura realmente assustadora do ator Darby Jones, que deve ter deixado muita gente sem dormir à noite com seu semblante esquisitão. Ele interpreta Carrefour, uma espécie de entidade que protege o santuário do lugar.

Danças frenéticas ao ritmo de tambores, animais sacrificados dependurados em árvores, bonecos cheios de alfinetes espetados e sessões de possessão fazem parte de I walked with a zombie, um filme até que ousado para a época. Tão ousado que, nos créditos finais, avisa: qualquer semelhança com indivíduos vivos, mortos ou possuídos é mera coincidência.

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