quarta-feira, agosto 04, 2010

#60 - La Nana, de Sebastián Silva


Ano passado, La Nana fez um certo sucesso durante o Festival Internacional do Rio. Trata-se de um digno exemplo do que a contemporaneidade pode fazer pelo cinema. Com uma câmera digital em punho e um argumento na cabeça, o diretor chileno Sebastián Silva conta uma simples e bonita história de amizade. Poucos atores, poucas locações, poucas frescuras e até mesmo, de vez em quando, pouca ação. Inclusive, isso pode incomodar alguns espectadores.

Catalina Saavedra (sobrenome nobre!) interpreta magistralmente a temperamental e esquisitona serviçal Raquel, uma empregada doméstica que serve a uma tradicional e abastada família chilena. Durante décadas, cegamente, ela abdica da própria família para cuidar dos patrões e seus filhos, anulando-se por completo. Em troca, tem o carinho de todos, mas continua sempre a ser uma empregada uniformizada. Já com problemas de saúde, ela não aceita que outra pessoa a ajude nas tarefas de casa. Toda a tentativa de cooperação é duramente rechaçada.

Há uma linguagem interessante em La Nana. A câmera é mais uma testemunha do que um ponto de referência narrativo. Ela espia tudo - inclusive os banhos da empregada, sublinhando um certo fetiche da classe média. Os diálogos são curtos e há bastante espaço para o improviso, pois o foco principal está no estudo do comportamento de quem cuida dos outros antes de cuidar de si mesmo.

2 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Só vejo boas referências em relação a esse filme. E parece daqueles que ou nunca vão estrear aqui, ou vão demorar pra caramba! Mas existem outras possibilidades, é claro!!!

Vulgo Dudu disse...

Rafael, são essas outras possibilidades que devem ser levadas em conta quando o assunto é cinema independente... rs!

Abs!