segunda-feira, julho 19, 2010

#56 - Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), de Tim Burton


Tim Burton sempre foi ousado na linguagem estética. Não há um filme no seu currículo que não tenha cenários, figurinos e direção de arte meticulosos. O bacana do diretor era que ele sabia como ninguém dosar o visual com o roteiro e, mais importante ainda, com as interpretações. Sempre valeu a pena ver Tim Burton porque suas histórias são bem contadas. Porque além do deleite estético, ele proporcionava um deleite ficcional.

Aí, todo o mundo ficou esperando, ansiosamente, o lançamento de Alice no País das Maravilhas. E com razão: no tal plano ficcional, o que mais havia era pano para a manga. O plus de ser em três dimensões ainda contribuiu para aumentar a celeuma dias antes da estreia. Seria possível ver, então, o tal mundo particular de Tim Burton com mais profundidade.

A grande verdade é que Burton, dessa vez, fez que nem um monte de diretor por aí. Ficou tão preocupado com a estética, que se esqueceu do básico. Ao que parece, não deu tanta bola para o roteiro, e ainda deixou em segundo plano as atuações, mesmo contando com um elenco calejado e de respeito. Há tanto exagero estético em um dos pratos da balança, que não há ação cinematográfica que equilibre o filme. O mundo de Burton se tornou uma mera representação gráfica de efeitos texturizados.

A história (quase) todo mundo conhece. Escrita por Lewis Carroll, acabou virando um clássico. Ou seja, não há muito o que escrever sobre Alice - até porque, quando criança, nunca foi das minhas histórias prediletas. E nem dá vontade de entrar nos méritos sobre a construção do enredo, uma vez que as comparações livro-filme são uma perda incomensurável de tempo, dada a diferença entre as duas linguagens.

Desânimo. Esse é o resumo de Alice no País das Maravilhas. Desânimo até para escrever essa resenha.

PS: Tim Burton e Disney? Difícil, hein?

11 comentários:

Marcelo disse...

só uma coisa, o filme n é uma adaptação, somente usou como base a história do lewis carrol.

mas de qq forma ficou raso como uma poça.

Maria disse...

puuutz...

bem, alice não é uma história para criança, por isso a gente não gostava, rs

o tim burton é esquisitão, né?

eu não vi porque aqui nesta terra cheia de cinema não tinha uma só sala passando o filme com legenda - tudo dublado. fora as filas gigantescas.

mesmo assim eu tenho curiosidade e é possível que eu veja :)

pseudo-autor disse...

A grande decepção do ano. Não pelo elenco, que até tenta salvar o filme mas pela trama em si. Não adianta... O tim burton e a Disney juntos não funciona. Ele devia agradecer que o estúdio o demitiu e passou a realizar grandes obras como Ed Wood, Edward mãos de tesoura, Sweeney Todd. O público dele não é o mesmo da Casa do Mickey.

Cultura na veia:
http://culturaexmachina.blogspot.com

bruno knott disse...

É uma pena que este filme não tenha correspondido as expectativas.

Certamente o roteiro está longe de funcionar adequadamente, mas eu diria que o Tim Burton também não soube explorar muito bem o recurso do 3D.

Abraços.

Vulgo Dudu disse...

Marcelo, como eu escrevi no meu texto: "E nem dá vontade de entrar nos méritos sobre a construção do enredo, uma vez que as comparações livro-filme são uma perda incomensurável de tempo, dada a diferença entre as duas linguagens." É uma adaptação livre, como os filmes têm que ser. E ficou raso mesmo, bem raso...

Maria, dá vontade de ver mesmo, né? Porra, Tim Burton na direção, elenco bom e tals. Mas é bem chatinho.

Pseudo-ator, pois é: Burton e Disney não combinam mesmo. Fica um filme para família, mas para famílias excêntricas?

Bruno, nem isso ele soube fazer, né? Aliás, ninguém sabe explorar direito o 3D fotografado. Só o texturizado mesmo.

Bjs e abs a todos!

Kamila disse...

Dudu, o filme só vale pela estética mesmo. Faltou ao Burton, quem diria, a ousadia que esta história pedia.

Beijos!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, parece que ele sucumbiu ao efeito tridimensional da indústria cinematográfica... Uma pena!

Bjs!

Cristiano Contreiras disse...

Este filme peca pelo roteiro fraco e extremamente bobo, além de falhas nas interpretações – mas, eu achei o Depp bom, quem ficou realmente caricata foi Anne Hathaway e Mia Wasikowska (além de fisicamente parecida com Gwyneth Paltrow, parecia ela atuando, rs) não mostrou densidade. Não vi nenhum ‘choque’ dela – pelo menos a ausência de expressão da atriz proporciona isso – em cenas que a própria Alice deveria transmitir isso. Ela, em momento algum, parece deslumbrada ou mesmo mostra “medo” e fragilidade em momentos que deveria transparecer esse condicionamento. Mas, nem foi culpa dela, mas sim problemas de direção do Burton (a menininha Alice também soava estranha, apática e artificial) e do roteiro esquisito. A direção foi muito, mas muito mecanizada…e o roteiro da metade pro final fica totalmente chato…o personagem de Depp, certas falas ditas e certas cenas soam totalmente tediosas…Desnecessárias passagens da Alice com sua família, aquele casamento tosco com o caricato pretendente dela e a dancinha dela (e do Depp também) me deixaram com vergonha alheia, rs.

E vou ser sincero, nem achei tãaaao bem feito os efeitos visuais – a cena que ela cai do buraco, achei bem mecânica e deu pra sentir bem a montagem e tal. Parecia o tempo todo que Mia Wasikowska estava atuando apenas num cenário 3D, não dava forma na atuação e nem os efeitos – totalmente em excessos e cansativos – proporcionava um lirismo…

Engraçado que pseudos críticos e blogueiros por aí contestam atuações do elenco de Crepúsculo e não perceberam o quão apática, superficial e mecânica foi a atuação de Mia…e tenho certeza que ela estava também desconfortável ali, visto que na série “In Treatment” ela foi intensa, versátil e tinha textura dramática…

Gostei mais da trilha sonora do Danny, um recurso muito apurado e marcante! deu todo o clima e atmosfera ao filme…logo nos créditos iniciais; gostei da caracterização de Helena Bonham Carter (muito, mais muito cõmica e cruel!) e achei que a cenografia estava mesmo um primor.

Mas, tudo foi meio chatinho: por vezes, cansava o excessivo efeito visual, o roteiro frouxo e meio louco, enfim…

Abração!

Cleidson Lourenço disse...

E se segurem crianças! A disney tem uma continuação em mente!
Em breve, num cinema 3D perto de você

Robson Saldanha disse...

Eu fui um dos poucos entuasiastas desse filme. Ele me agradou em vários aspectos ainda que, logicamente, eu esperasse mais ousadia de Burton que provavelmente foi tirada pela Disney.

Vulgo Dudu disse...

Cristiano, eu achei que as atuações foram preteridas pelos efeitos visuais. E concordo: os efeitos visuais nem tchuns pra mim. Achei o filme computador demais, quando o material humano era bom e podia render! O Danny Elfman é o cara, né? Indico, se você ainda não viu, "Forbidden Zone" (tem resenha aqui no blog), o primeiro filme com trilha sonora dele, uma viagem de louco! É, inclusive, a primeira aparição do Oingo Boingo. Vale a pena!

Cleidson, que notícia desoladora... rs! Será que é o Burton na direção de novo?

Robson, diferentemente de você, acho que nada me agradou no filme. E faltou não apenas ousadia no Burton, mas também bom senso. Ele praticamente abdicou do seu estilo, ao que parece, por uma questão mercadológica (Disney). Enfim, achei decepcionante.

Abs, galera!