terça-feira, junho 29, 2010

#51 - Educação (An education), de Lone Scherfig


A educação britânica tem fama de ser bastante rígida e conservadora. A escritora Lynn Barber sofreu na pele a pressão pelo diploma, e acabou escrevendo suas memórias sobre o período. Aí, veio Nick Hornby, talvez um dos autores mais bacanas da literatura inglesa contemporânea, e transformou as vivências de Barber, que por si só já eram bastante interessantes, num belo roteiro para a tela grande.

Não há como não se envolver com Educação, mesmo que você seja do sexo masculino e a história tenha enfoque feminino. Trata-se de um filme muito bem feito. Ambientado na década de 60, acompanhamos as diversas descobertas da jovem protagonista, a adolescente Jenny, sobre questões essenciais na formação do caráter. Lições que a escola, por mais qualificada que seja, não dá. Com bastante sensibilidade, são abordados temas como amor, sexo, família e ética.

O ponto alto do filme são as interpretações, que beiram a perfeição. Carey Mulligan dá o brilho e a empatia necessários à protagonista. Alfred Molina, como o patriarca austero que investe na educação da filha, está perfeito. Peter Sarsgaard faz par romântico com Mulligan, em uma atuação bastante convincente. Direção de arte e fotografia não ficam para trás. Ou seja, Educação é tão bom tecnicamente quanto dramaticamente.

12 comentários:

Maria disse...

Eu vi o trailer, deu vontade de assistir, mas aí só vi crítica morna, e acabei deixando pra lá. Como eu não entendo NADA de crítica, rs, foi bom ter sua opinião a respeito. Deu, de novo, vontade de ver.
Bj!

Kamila disse...

Concordo! É um filme muito bom, tanto tecnicamente, quanto dramaticamente. Acho que o que mais me agradou aqui, além das atuações de Alfred Molina, Carey Mulligan, e da parte técnica, foi o roteiro. A maneira como eles falaram da educação formal versus a educação da vida é muito boa!

Beijos!

Pedro Henrique disse...

Maravilha de atriz, né? Capaz de elevar um filme (que eu acho apenas mediano). Tô louco pra ver novamente.

Vulgo Dudu disse...

Maria, você que tem esse olhar diferenciado sobre o universo feminino vai adorar. Vale a pena!

Kamila, roteiro assinado por ninguém menos que Hornby, né? O cara manda muito bem! O engraçado é que os livros dele são bem masculinos.

Pedrão, a Carey Mulligan realmente rouba a cena. Que atriz! Mas eu acho o filme bom, sim. Bom roteiro, boa direção de arte, boa fotografia, boa trilha sonora...

Bjs e abs!

Robson Saldanha disse...

Dudu, eu gostei de Educação mas teimo em dizer que acho que é superestimado. Ele é bom e ponto. O roteiro é interessante mas só vejo o ponto alto nas atuações e só. Impliquei com ele... hehehe

Rodrigo disse...

Não entendi a tamanha excitação que a crítica recebou esse filme. Revisarei-o, porque não consegui ver o filme com a mesma paixão que a maioria dos críticos (principalmente os de blog) tiveram. Um ritmo lento, um roteiro mal argumentado e que no fim, cai na mesmice. Enfim, revisarei, prometo.

Bárbara :) disse...

Adorei o filme. A trilha sonora é ótima, os looks são fofíssimos *__*

Vulgo Dudu disse...

Robson, eu acho o roteiro e as atuações o ponto alto do filme. E pra mim, um roteiro bom já me ganha de primeira. E olha que a trilha sonora e a direção de arte nem ficam pra trás...

Rodrigo, eu já não concordo contigo, porque acho o roteiro muito bom. Muito melhor do que a maioria dos dramas com enfoque feminino produzidos por roteiristas hollywoodianos. Eu sou muito fã do Nick Hornby. Porém, concordo que o ritmo é outro mesmo. Até porque é cinema britânico, que quando pretende ser britânico, e não estadunidense, acaba se diferenciando - para o bem, ou para o mal.

Bárbara, eu não entendo tanto de looks... rs! Mas a recriação de época está perfeita, né?

Bjs e abs, pessoal! E obrigado pelas visitas!

Maria disse...

Acabei de chegar em casa. Fui a casa de uma amiga e assistimos. Bem, atuação ótima, sem dúvida. Mas o filme não me disse absolutamente nada. Ficaram no raso com o dilema moral apresentado e nada me emocionou.

Quando acabou, como era cedo ainda, vimos "se beber, não case", e aí sim, nos divertimos um pouco!

Vulgo Dudu disse...

Maria, sério? Pensei que fosse gostar... Eu achei o filme bastante sensível, com um roteiro bem argumentado. Acho até que nem tem tanto dilema moral assim para mergulhar. É mais simples a proposta. Ah, e eu adoro "Se beber, não case"!

Bjs!

Maria disse...

Tem sim, dilema moral sobre a figura da mulher/mulher e mulher/filha total: o pai faz de tudo para que a filha seja uma profissional, uma pessoa intelectualmente ilustrada e, de repente, na perspectiva de um bom casamento, veja bem, não uma grande paixão, acaba se iludindo com toda a situação... sei lá, acho que a figura do pai foi pouco explorada no filme.

Estou te devendo uma resenha. A notícia boa é que estou "de férias".
:)

Maria disse...

corrigindo, não sei bem se "moral" seria uma qualificação adequada pro dilema. talvez. difícil definir.