sexta-feira, junho 18, 2010

#50 - O profeta (Un prophète), de Jacques Audiard


Meu primo, Felipe, entusiasta do bom cinema, que já havia visto o filme nos Estados Unidos, me fez a recomendação. E eis que estreia hoje no circuitão nacional esta película francesa bastante interessante. Alternando momentos oníricos com sequências de violência brutal, O profeta tem conseguido admiradores ao redor do mundo. Não à toa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o Grande Prêmio do Juri em Cannes. De fato, é um filme bastante interessante. Complexo, cheio de texturas e que não segue um padrão cinematográfico comercial.

Acompanhamos a história de Malik El Djebena, um jovem de origem árabe que vai para a cadeia depois de, supostamente, atacar um policial. Inexperiente e desprotegido, acaba recebendo uma proposta para um trabalho sujo, imposta por mafiosos italianos que dominam o pavilhão em que está encarcerado: deve matar um prisioneiro, também árabe, que aguarda julgamento. Se executar a tarefa, ganha proteção. Caso se recuse a fazer o serviço, é ele quem será morto.

A sequência inicial, de extrema violência, é magistralmente bem filmada. Logo nos minutos iniciais da trama, o protagonista começa a trilhar seu caminho dentro do cárcere, buscando não somente a sobrevivência, mas o respeito dos outros prisioneiros. Em meio a tudo isso, um fantasma começa a visitá-lo, dando-lhe pequenas lições de vida, por vezes na forma de paródias religiosas.

Fica claro que Jacques Audiard a todo o instante busca um contraponto para a violência que recheia o roteiro de O profeta. Acerta em cheio ao filmar os devaneios religiosos do protagonista, inclusive como uma forma de contextualizar a presença do credo e da fé nas práticas criminosas. É como se houvesse, ali também, uma guerra santa: de um lado, os corsos italianos cristãos. Do outro, os árabes muçulmanos.

Edição, trilha sonora, fotografia - tudo em seu devido lugar. Porém, o que chama a atenção mesmo são as atuações, brilhantes! Uma produção bastante caprichada, com um rigor estético pouca vezes visto em uma produção que tem como argumento a violência do cárcere.

13 comentários:

Kamila disse...

Dudu, sua opinião é somente mais uma que leio que altamente recomenda este filme. Espero poder conferir a obra em breve.

Beijos!

Ramon disse...

Muito bom! O filme e a resenha. Os dois andam lado a lado.
Também adorei a obra e concordo muito sobre cada ponto comentado. A cena que Malik assassino o árabe é fortíssima, e bela!

Abs@!

Airton disse...

eaee esse eh filmao...
o ator nunca tinha visto mas aprovei bom pra carai

http://publicandobr.blogspot.com/2010/06/despedida-italiana.html

Vulgo Dudu disse...

Kamila, é um filme bem intenso, o que é meio raro hoje em dia. Por isso, procure-o!

Ramon, aquela cena é absurdamente espetacular! Não só o ato em si, mas toda a preparação. Aliás, comentava isso com um amigo: ela nem é graficamente pesada - apesar de muito violenta. É mais tensa mesmo, e uma tensão crescente.

Airton, o elenco todo é muito bom, né? Aquele velho corso faz um trabalho espetacular também!

Bjs e abs!

bruno knott disse...

Um filme fantástico!

O ator principal tem um magnetismo que é raro de ser visto.

Ele é repleto de cenas marcantes, como essa do assassinato que ele tem que cometer.

Excelente!

Robson Saldanha disse...

Eu gostei bastante. Acho que estava no páreo com os demais filmes estrangeiros, porém acho que faltou a um toque a mais que não falta em fitas como O Segredo dos Seus Olhos e A Fita Branca, concorda?

Felipe Abdala disse...

Concordo com os apontamentos feito em relação à complexidade da trama e ao rigor estético da película.
Uma outra coisa no entanto, me chamou atenção: na França o sistema prisional só funciona para os imigrantes? Italianos, corsos, árabes, egípcios... não há um francês sequer, mesmo dentro da França, que seja criminoso, homicida ou corrupto.
Fiquei realmente incomodado com isso no filme. Xenofobia é crime, Audiard!

Pablo disse...

Vou assistir logo mais. Estava entre ele e o de Haneke, mas as criticas de Fita Branca não foram boas. Então, já que a indicação do Profeta está sendo positiva, vou assistí-lo logo mais. Há, parabéns pelo Blog. Abraço.

Vulgo Dudu disse...

Bruno, as atuações são mesmo um dos destaques. Não só do protagonista, mas de todo o elenco.

Robson, se te falar que ainda não vi nenhum dos que você citou, você acredita? rs! Mas ambos já estão engatilhados.

Felipe, bastante interessante a sua colocação. Eu não sei por quê, mas havia entendido que a prisão era meio que segregada... Vou até dar uma pesquisada nisso! Muito bem observado.

Pablo, é um filme, ao que parece, tão intenso quanto A fita branca. Tem tudo para agradar!

Abs, galera!

Adriana Hanna disse...

"Acerta em cheio ao filmar os devaneios religiosos do protagonista, inclusive como uma forma de contextualizar a presença do credo e da fé nas práticas criminosas. "

Hã?

Minha Nossa, devaneios religiosos?
Pelo contrário, Malik é completamente desprovido de identidade, tanto religiosa como pessoal.
Pois ele não faz idéia o que é a religião e o mundo islâmico. Sua iniciação foi por influência do amigo Ryad. Tanto é que, ao longo da história, o protagonista foi rejeitado pelos dois lados: dos corsos e dos muçulmanos.

Ele entrou na cadeia como uma página em branco, um bicho acuado e apavorado, que foi se moldando e se adaptando para sobreviver e tirar proveito das situações, agarrando todas as oportunidades para ter uma vida melhor, menos imunda e humilhante. Além, é claro, de deter o poder consciente de transformar sua personalidade, mente e face diante aos acontecimentos. Entra analfabeto e sai graduado, pelo fato de ter estudado. Ora, até Economia e o idioma dos corsos aprendeu.

E o fantasma nada mais é que seu alter ego; e o inconsciente dele agindo implacavelmente, seus fantasmas sendo liberados nos momentos em que ele podia ficar consigo mesmo, exteriorizando medos, revoltas, delírios e o sentimento de culpa por ter assassinado Reyeb.
Pra mim, Un Prophete é genial. Sem falar nas atuações brilhantes de Tahar Rahim, um ilustre desconhecido no cenário cinematográfico francês, e do veterano Niels Arestrup.

Achei sua crítica simplista e fraca, fraca, para um filme tão complexo e cheio de detalhes comoventes, sensíveis...

Abraço e me desculpe pela sinceridade. ;)

Vulgo Dudu disse...

Ei, Adriana, você tem um blog sobre cinema? Se não tem, deveria pensar seriamente em criar um.

Você levanta pontos no seu comentário dos quais discordo, porque acredito que sejam alguns deles uma mera questão de "leitura" do filme. E, na boa, usando a sinceridade como norte dessa nossa breve troca de comentários, tô com preguiça de me estender nisso.

No entanto, alerto a você, antes que navegue por aqui desavisadamente, que, muito provavelmente, simplista é o meu blog inteiro...

E não se desculpe pela sinceridade - ela deve ser sempre encarada como uma virtude. ;)

Inté.

Anônimo disse...

Opinião pessoal e talvez única. O filme é de fraca direção! Parece que o ele deu tantas voltas que não sabia mais como terminar a película... não senti uma conexão na sequência das cenas, além das palavras escritas na tela serem... não criativas.
Wim Wenders me entenderia.

Aristóteles Peres de Mello disse...

alguém sabe o nome das músicas que rolam no filme?? principalmente uma que é uma mistura de blues com hip hop; eu só acho o nome do cara que fez a trilha sonora do filme, porém não os cantores/bandas e os nomes de suas respectivas contidas nesta película!!??? por favor quem souber, me responda, fico grato.
Ari