sábado, junho 12, 2010

#49 - Não, minha filha, você não irá dançar (Non ma fille, tu n´iras pas danser), de Christophe Honoré


Apesar do que sugere o título, o novo filme de Christophe Honoré não fala sobre uma jovem que sonha seguir a carreira de bailarina contra a vontade dos pais. O roteiro de Não, minha filha, você não irá dançar conta a história de uma mulher que tenta reconstruir a vida debaixo das asas de uma família castradora. Após se desentender com o marido, ela foge levando os dois filhos para a bucólica casa dos pais, no interior da França. Lá, no entanto, sofre com as intromissões e pressões familiares.

O mérito de Não, minha filha, você não irá dançar está no estilo singular de Honoré. Seus atores rendem, a trilha sonora é cuidadosa, os diálogos têm profundidade e o desfecho é bastante interessante. No entanto, o que não deixa o filme fluir é a tentativa do diretor em explicar suas intenções à plateia. A inserção de um punhado de sequências incomuns e cansativas acaba se transformando em um clamor por compreensão. Isso acontece com a longa cena de um ritual de dança celta, que remete ao título do filme, e com a tradução da canção “Making plans for Nigel”, da banda inglesa XTC, cuja letra faz alusão ao drama pessoal da protagonista.

5 comentários:

Kamila disse...

Eu, sinceramente, não consigo gostar muito dos filmes do Honoré, mas acho interessante que ele tenta sempre falar sobre pessoas que estão tentando se reerguer de alguma forma.

Beijos!

jeff disse...

Po, onde você assistiu, Dudu? Baixou, tem legenda em port?
Gosto muito do cinema do Honoré e quero muito assistir esse. Ele chegou a ficar em cartaz no Rio, mas eu perdi. =/

[]s!

Vulgo Dudu disse...

Kamila, esse nem é o melhor trabalho dele. Vez em quando é enfadonho...

Jeff, eu vi uma cabine de imprensa em janeiro deste ano, faz tempo! Só que o filme ainda não entrou em cartaz no circuitão carioca - e, pelo andar da carruagem, nem sei se vai entrar tão cedo. Aí, resolvi postar agora a resenha.

Bjs e abs!

Pedro Henrique disse...

Esse é mesmo o mais fraco Honoré. Ainda que seja um bom filme de análise comportamental, as vezes se perde nele mesmo - talvez o cara tenha pesado a mão mesmo. Mas o que ele fez anteriormente, seja com Canções de Amor, A Bela Junie ou Em Paris, não pode ser esquecido.

Abs!

Vulgo Dudu disse...

Pedrão, sem dúvida. Acho Em Paris uma joia! Neste aqui, a coisa demora pra engrenar. E como eu disse, ele parece querer se explicar a todo momento.

Abs!